Um bebê nasce, o pai dele, de farda, o segura no colo, muito desajeitadamente, e diz: “Hmmm, esse vai ser macho que nem eu!”. Logo, o recém-nascido torna-se criança e, como esperado, é cobrado pela figura paterna “Não chore, seja homem!” “Vá jogar futebol! Onde já se viu! Um garoto que não joga bola!”. Assim, o menino fazia uma força sobre-humana para agradar seu pai, tentava ser o mais másculo, o mais homem possível, mesmo que sua natureza o levasse a preferir conversar com as meninas ou brincar de boneca. Uma vez, o filho questionou o pai se ele poderia ir brincar na casa de algumas amigas, resultado: Surra de cinta e uma semana de castigo. Com tais influências, o pequeno indivíduo decidiu o rumo de sua própria vida, ele seria o mais macho possível, como o seu progenitor.
Na juventude, logo tratou de tentar conquistar todas as menininhas que ele via, não por gostar delas, mas, sim, por adorar ouvir o pai falando: “Ah, garoto! Puxou o papai!”. Na hora de decidir a profissão, o jovem não titubeou, seria militar. Profissão de respeito, de homem, profissão de seu herói, seu criador. Cresceu no emprego, assustadoramente, afinal, cada medalha era um parabéns da pessoa mais importante do mundo, cada medalha era uma prova de sua hombridade. Logo, surgiu a oportunidade de realizar um golpe, tomar o poder. Ele caiu de cabeça nesse projeto e, quando os militares assumiram o governo, defendeu-os com unhas e dentes, torturando, matando, mentindo, e sem sentir remorso! Gozava os prazeres de causar a dor no próximo, afinal, apenas alguém muito macho subjuga os outros de tal forma.
O tempo passou e os homens de farda saíram do poder, todavia, ele se manteve. Com a tal democracia, que, aliás, ele repudia, se elegeu deputado devido à ajuda das pessoas de bem, que defendiam o país: Os ditadores de antigamente. Na câmara, apresentou as suas opiniões, “bolsa família é esmola!” “A tortura foi necessária!” “Cotas são injustas!”. Não obstante, um ideal se destacou: “Por que existem os gays? Ninguém educa mais seus filhos?”. O deputado odiava ferrenhamente os homossexuais, tinha vontade de mata-los, a presença deles atrapalhava a masculinidade que ele trouxe do exército. Muitos se revoltaram com a opinião dele, porém, nada aconteceu (sorte dele de ter nascido brasileiro).
Aos setenta e oito, se aposentou. Mas manteve-se homem, praticava tiro e não deixava nada barato. Ainda fazia declarações polêmicas na mídia, entretanto, consideravam-no apenas um velho gagá. Até que, um dia, teve um AVC. No hospital, internado, à beira da morte, chamou seus filhos. Tinha algo para revelar. “Meus filhos, desde cedo fui forçado a ser macho e, como macho, vou morrer. Mas, ouçam um segredo: Sempre sonhei em ser uma Drag Queen!”.