“Bandido bom é bandido morto, meu filho, é isso mesmo que tem que fazer só matando essa bandidagem é que o Brasil vai melhorar! Mas sabe o que é pior? Esse pessoal que defende os direitos humanos, esses caras são piores que os bandidos. Hunf. Onde já se viu? Bandido não tem o direito de vida, não. Tem o direito de escolher como morre: Esquartejado ou queimado. Mas tem gente que não deixa isso acontecer, sabe por quê? Porque querem os votos dos bandidos, ah, eles elegem um bando de deputado aí. Na verdade, esse pessoal que defende os direitos humanos é bandido também. Não, é pior, é pior...”.
São declarações desse naipe que vem assolando o Brasil depois desse conflito do Rio com os traficantes. Declarações de pessoas que não tem noção do contexto social em que cada indivíduo da favela está inserido, que não conhecem a fome, não conhecem o descaso social, não conhecem o preconceito. Pessoas desse tipo acham que o crime nasce dentro de um número x de pessoas, algo que está impregnado somente no DNA de alguns humanos e que o único jeito de acabar com os crimes é matando todos que cometem alguma infração. Ledo engano.
De que adianta matar todos os traficantes da favela da Penha se quem comanda o tráfico não são eles, são pessoas ricas que lucram com a venda das primeiras drogas? Nada. Até porque há um problema na raiz do Brasil que faz com que a “menos pior” escolha para muitas crianças seja o tráfico: A educação precária do nosso país. Não adianta matar centenas de criminosos, eles vão voltar, na pele de muitas ex-crianças sem oportunidade, sem educação, traumatizadas pelo nosso país cruel e injusto.
Afinal, antes de falar todas essas baboseiras de “caráter”, quem acataria tranquilamente um mundo em que, mesmo que você se esforce muito, alguns são pedreiros ou faxineiras e, mesmo que umas pessoas joguem várias oportunidades de ouro na sarjeta, são advogados ou médicas? Vivemos em um lugar injusto, onde a maioria das crianças das favelas só tem dois métodos de se dar bem na vida: Ser jogador de futebol ou traficante.
Só há um modo de acabar com essa guerra no Rio: Precisamos unir a repressão (que já vem acontecendo fortemente) com igualdade de oportunidade a todos, senão não adiantará nada exterminar os criminosos e, consequentemente, alguns inocentes.
PS: Antes de perguntar que bandido é bom, pergunte: Qual país é bom? Assim chegaremos à resposta: Um país mais justo, onde os bandidos não tenham motivos para existir.