segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Esqueça a corrupção, indigne-se com o sistema.

É tendência da mídia incitar o povo para se revoltar contra a corrupção. Essa concepção, todavia, está errada. Esse mal não pode ser esvurmado de um país em um sistema capitalista injusto e competitivo como o nosso. Enquanto ainda houver a cobiça de obter o mais caro automóvel e de usufruir os mais nababescos hábitos, os políticos – e os cidadãos – sempre buscarão meios, dentro ou fora da lei, de enriquecer. Deduz-se, assim, que protestar contra a corrupção não passa de esforço à toa. Urge que as manifestações se voltem para o real problema: esse capitalismo selvagem, que suscita a competição e a autodestruição entre o gênero humano.

Se nosso Estado fosse igualitário e se nossa população estivesse mais interessada em garantir justiças sociais e progressos por meio da mútua ajuda, os furtos ao dinheiro público seriam inexistentes, afinal, supondo que os políticos adquiririam consciência social, eles não cometeriam a nefasta injustiça de usurpar os direitos do povo, este que sofre a cada dia para sobreviver. Nosso país, contudo, é regido pelo princípio da “meritocracia”, que – na verdade – só fomenta as desigualdades e faz com que os ambiciosos cometam os mais nocivos atos para ter “sucesso” na vida.

É verídico que movimentos contra a corrupção, mesmo que com o foco errado, podem trazer benefícios para o povo. Percebe-se, no entanto, que se está criando o mais pernicioso método de criticar a improbidade com o dinheiro público: o meio egoísta. Nada é mais frustrante que ver um indivíduo da classe A, que tem todos os luxos disponíveis, reclamar: “estão roubando o meu dinheiro! Os políticos estão, por meio dos impostos, roubando meu capital!”. Estão, na verdade, deixando de aplicar o dinheiro para melhorar a vida de quem está em más condições. Estão privando a educação de milhões de crianças, estão perpetuando a desigualdade, trazendo injustiça! Os mais abonados não precisam de apoio, não precisam desse dinheiro! Revoltem-se com a corrupção, por favor, mas revoltem-se pelas injustiças que ela traz e não pelo prejuízo do seu bolso!

Os meios midiáticos, para ter sucesso em suas convocações de indignação, usam o argumento individualista, preconceituoso, que só suscita mais competição entre todos. Isso é algo errado, assim a espécie humana nem sobrevirá para reclamar de quem não segue a lei.

Descobre-se, por conseguinte, esta ilação: em um mundo injusto, em um sistema injusto, a corrupção e a desigualdade são inerentes, inevitáveis. Só em um Estado harmonioso e de cooperação é que o furto de dinheiro público será abolido.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ignorância ou Oportunismo?

Movimentos similares ao “Occupy Wall Street” – que criticam subsídios governamentais às grandes empresas privadas - foram realizados no Estado do Paraná. Isso era evidente por causa de placas como “Democracia real já” e várias máscaras. Qualquer indivíduo que tenha ouvido falar das manifestações de Nova Iork perceberia que os cidadãos agiam corroborando com os ideais do movimento-gênese.

Uma afiliada de uma popular emissora (plim-plim), todavia, não “constatou” isso e definiu – de forma absurdamente errônea - os protestos como “contra a corrupção”.

Resta, então, uma dúvida: será que os jornalistas desse “respeitável” programa são tão desconhecedores do que ocorre no mundo? Provavelmente não.

É plenamente plausível esta hipótese: a emissora - que vem apoiando “marchas contra a corrupção” - após perceber a lúgubre, e escassa, participação popular nas marchas do canal, resolveu mentir e mostrar as manifestações como reações à usurpação do dinheiro público. Assim, pelo “efeito manada”, mais pessoas se sentiriam dispostas a “lutar contra os políticos ladrões” e, dessa forma, o real objetivo da empresa midiática – relacionar o governo à corrupção e tentar tirá-lo do poder – tornar-se-ia mais próximo.

Se essa verossímil dedução estiver correta, houve uma terrível manipulação por parte da emissora. Senão, o jornalismo tupiniquim conseguiu reunir as mais ineptas pessoas da face da terra.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Estaria o capitalismo definhando?

Em vários protestos da atualidade, percebe-se que, a cada dia que se passa, mais a população não aceita a forma oligárquica com a qual os governos distribuem as riquezas de seus respectivos países. Considerável parte dos indivíduos não aceita mais essa guerra desenfreada para ganhar dinheiro, essa voraz competição entre todos. Competição que, aliás, é absurdamente injusta, sempre visando o sucesso de uma poderosa minoria. Movimentos nas Grécia, na Espanha, em Portugal e, até, nos EUA são destaques. Esses protestos benfazejos vêm animando muitos ativistas que pensam: “finalmente, o capitalismo ruirá”. Vários aspectos, no entanto, mostram que o fim completo desse sistema injusto não está próximo. Essas manifestações, contudo, não devem ser menos festejadas, elas podem trazer excelentes benefícios a toda a população mundial.

O modo capitalista de produção ainda está muito fixado no ideário popular. A busca por tablets e tecnologias da moda ainda supera a vontade de uma vida em harmonia, de respeito e cooperação entre todos os seres humanos. É bem verdade que movimentos como o Ocuppy Wall Street já demonstram que tencionam esse equilíbrio espiritual, mas estes são minoria. Já dizia José Saramago: “não é possível construir o socialismo sem uma mentalidade socialista.”. Nossa sociedade, até agora, ainda demonstra a avareza capitalista: o individualismo flui absurdamente, a preocupação com a própria condição impera e o descaso com o próximo é evidente. Deduz-se, então, que um sistema de mútua cooperação entre os cidadãos não chegará agora.

Esses movimentos, mesmo assim, podem representar um marco: o fim do neoliberalismo, desse ramo do capitalismo que defende a “não intervenção do estado” e, de forma contraditória, financia os mais ricos banqueiros. O povo, agora, não aceita mais essas mentiras e exige que o governo trabalhe para melhorar a vida da maioria e não de poucos aristocratas do sistema financeiro. Se as reivindicações de agora forem atendidas, os novos Estados beneficiarão mais os cidadãos. Gerar-se-á um novo sistema muito semelhante ao Wellfare State – Estado de Bem Estar social -, que estará plenamente disposto a suscitar melhores condições para a população. Essa mudança já seria uma grandiosa vitória para o mundo e para a democracia verdadeira.

Evidencia-se, por conseguinte, esta ilação: as manifestações que despontam contra o neoliberalismo não trarão um governo essencialmente igualitário. Elas, todavia, podem nos apresentar um sistema muito superior do ponto de vista social, e – a partir dessa mudança – um governo plenamente benfazejo estará mais próximo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ocupar Wall Street - O movimento

Surge, nos Estados Unidos, um movimento diferente dos outros e que detém uma enorme abrangência de participação: trata-se do Ocuppy Wall Street (Ocupar Wall Street, como vem sendo chamado no Brasil). Um dos lemas dessas manifestações pede benefícios aos 99% e o fim dos excessivos privilégios ao 1%. A esmagadora maioria é o povo, a ínfima minoria são os banqueiros, os ricos financeiros de Wall Street.

O país americano sempre foi um exemplo da inversão de valores que os governos podem tomar. A nação do tio Sam gasta bilhões para salvar bancos da falência e não tem, sequer, um sistema de saúde pública. Os abastados lá – como aqui no Brasil – pagam menos impostos proporcionalmente. Resultado: a maioria, as pessoas simples têm que labutar arduamente para garantir o terno importado do financeiro rico.

Parecia que o povo estadunidense estava alienado pelo falacioso argumento de que “quem tem dinheiro fez por merecer”. Apenas parecia. Os manifestantes perceberam o quão mentirosa e perniciosa é essa ideia e já chegaram à mais óbvia e benfazeja conclusão que há na política: o bem deve ser propiciado à maioria e a quem mais sofre com as acerbas condições impostas pelo capitalismo selvagem.

Por isso, há a reivindicação de taxação aos mais abonados, de maior apoio social aos cidadãos comuns e de um sistema político-econômico mais justo, sustentável e pautado no princípio da equidade.

Analisando a construção desses protestos – pacíficos, que fique bem evidente – imagina-se que duas frases, que se tornaram famosas, estavam certas desde que foram criadas.

“A revolução não será televisionada” e sua paródia “A revolução será tuitada” são os trechos que vem sendo confirmados. A mídia americana simplesmente ignora o Ocupar Wall Street – mesmo que o número de manifestantes já seja bastante considerável – e as ferramentas da internet aparecem como grandes aliadas do movimento – exemplo disso é a transmissão online do protesto http://www.livestream.com/globalrevolution.

Não se sabe até onde isso irá. Alguns sonham, até, com reformas mais estruturais em todo o planeta e há quem julgue o fim dessa aglomeração como questão de tempo. O resultado e outros aspectos mais profundos dessas manifestações só serão percebidos no futuro. Constata-se, contudo, que o sentimento de cidadania – pelo menos nesses 19 dias de protestos – surgiu e a vontade de emancipação das punições do “Deus mercado” também.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sexualidade no Estatuto da Juventude

Movimentos pela liberdade sexual, principalmente das mulheres, encorparam-se nos anos 60 e, após muita luta, diversos paradigmas foram quebrados e, pouco a pouco, a emancipação sexual da maioria dos jovens foi propiciada. Desde então, o sexo tornou-se parte essencial da vida de muitos indivíduos. Esse liberalismo, todavia, pode levar algumas pessoas à banalização das relações ou, no outro extremo, a frustrações por um insucesso na vida amorosa. Por isso é necessário que o Estado propicie informação a esse setor da sociedade com aulas sobre sexualidade.

Já está incrustado na geração do século XXI: o amor, ou menos, leva ao sexo, e este se tornou a maior, e mais importante, demonstração de apreço entre os casais. Assim, a relação amorosa virou algo corriqueiro e, então, ter uma sexualidade bem resolvida e conhecer o próprio corpo tornou-se, mais do que nunca, necessário para que se possa alcançar a felicidade, a satisfação pessoal. As aulas sobre esse tema – que foram propostas pelo Estatuto da Juventude - ajudariam muitos a alcançar tais conhecimentos sobre si mesmo e, consequentemente, trariam muitos benefícios a grande parcela dos estudantes.

O conservadorismo, contudo, cega certas pessoas. Estas julgam que o contexto histórico atual não mudou. Para elas, os jovens continuam assexuados, “imagine, eles mal saíram das fraldas!”. Não importam as inúmeras pesquisas que afirmam: alunos do ensino médio já têm vida sexual ativa. Para os indivíduos retrógrados, esse tipo de educação “estimularia a pedofilia” ou “faria apologia ao sexo”. Sabe-se, entretanto, que esses argumentos são desprovidos de razão. Na verdade, o maior mal que pode acontecer é a não realização das aulas sobre sexualidade. Porque isso acarretará em vários jovens frustrados sexualmente, tristes e envolvidos em relações infelizes, em uma família mal estruturada.

Deduz-se, então, que é plenamente benfazeja à população jovial a instauração de aulas de sexologia. Pena que muitos políticos, presos nas amarras da ignorância, não consigam fazer esse óbvio raciocínio.