domingo, 11 de setembro de 2011

Aos líderes da mídia: sobre o 11 de setembro

Aos líderes da mídia: sobre o 11 de setembro

Constatei, mais uma vez, que os senhores responsáveis pela mídia brasileira passaram mais um onze de setembro prestando homenagens aos mortos no ataque terrorista ao pentágono. Entendam, não sou alguém sem coração que “já perdeu a paciência por causa de tantas matérias repetidas”. Na verdade, até me julgo um indivíduo com ideais humanitários e creio que o respeito às vítimas de violência é necessário. Noto, todavia, que a mídia vem valorizando a vida de alguns seres humanos em detrimento da de outros.

Os mortos do onze de setembro são incessantemente lembrados, mas há outros óbitos que vem sendo amplamente olvidados. Por exemplo: existem milhares de civis iraquianos que tiveram suas vidas ceifadas por causa de uma guerra infundada, que tinha em seu mais íntimo centro apenas um objetivo, o de conquistar petróleo. Entendam, senhores, que temos outras inúmeros casos como esse, vejam as crianças que morrem de fome na Somália, os chineses que são julgados e condenados à pena de morte por crimes políticos e os brasileiros que - sem julgamento - são condenados à mesma pena e morrem na mão da polícia.

A impressão que fica ao ver tamanha discrepância de tratamento a vítimas de atentados ou mortes violentas é a de que alguns indivíduos valem mais que os outros. Parece que o óbito de um estadunidense é mais importante – e, portanto, deve ser noticiado inúmeras vezes – que o óbito de um iraquiano ou de um brasileiro morador de uma comunidade. Isso, segundo o princípio da isonomia, é uma falácia e não deve, em nenhum momento, ser incentivado.

Fica, então, apenas um apelo meu aos senhores: tirem um dia do ano para lembrar de todos esses mortos que, aparentemente, vocês esqueceram. Afinal, creio que privilegiar alguém só porque este nasceu em um país desenvolvido é algo injusto e que suscita malefícios à sociedade.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tributos, por favor, tributos.

Tributos, por favor, tributos.

Existem dois fatos sobre a tributação e a saúde que não podem ser, em nenhum momento, olvidados. O primeiro: inúmeras pessoas não têm condições para pagar um tratamento em hospital particular e, por isso, são plenamente dependentes do sistema público. Este, infelizmente, exprime muita precariedade e, várias vezes por falta de recursos, não consegue responder à demanda imposta. Isso leva milhões de brasileiros a uma vida dolorosa, de privações e, ainda, a uma morte agonizante.

O outro fato: banqueiros, profissionais liberais, políticos e muitos outros, todo dia, gozam de excelente saúde e gastam um montante de dinheiro enorme a fim de usufruir, por exemplo, de uma lagosta preparada por um célebre chef.

Não creio que seja errado alguém buscar prazeres. Creio, todavia, que nada justifica tamanha discrepância de situações. Mas, talvez, seja apenas um pensamento radical meu. Vejam só, que audácia, eu deduzo que o direito de um pobre à vida é maior que o direito do nababo de saborear uma caríssima lagosta ao molho de caviar. Pois é, sou mesmo um comunistazinho exagerado.

Então, segundo esse meu ideal “absurdo”, suponho que um novo imposto para a saúde, que visasse causar ônus apenas aos indivíduos das classes mais abastadas seria algo plenamente justo e benfazejo.

Justo porque, proporcionalmente, as classes mais humildes pagam mais tributos que os mais ricos, e benfazejo porque salvar a vida de outros é algo que suscita o bem, obviamente.

Há, contudo, um empecilho bem sério, que quase impossibilita a aplicação de novos impostos: a opinião dos mais abonados é sempre ouvida, enquanto a dos miseráveis é esquecida. Tal injustiça ocorre por causa das condições de cada um, os grandes empresários são quem controlam os jornais, a mídia e, visando o benefício próprio, não perdem uma chance de publicar ser ideal burguês-liberal: “fui eu que trabalhei, o dinheiro é meu e ninguém tasca!”. Não se pode esperar o mesmo de uma pessoa sem condições que perece na fila de um hospital. É difícil, afinal, articular bem a própria opinião se a sua principal preocupação, agora, é se sua vida será mantida.

Isso, obviamente, mostra que o Brasil – além de ser um país desigual – propicia um debate desigual sobre a aplicação dos tributos. Nenhuma grande novidade, para a terra em que os editores de jornais saboreiam suas lagostas e criticam aumento dos impostos, enquanto outros têm suas vidas ceifadas pelo descaso do governo e pela má distribuição de renda.