terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Inaudível Clamor Popular - sobre a troca de poderes na Grécia e na Itália

Vários manifestantes se reuniram na Europa para protestar contra a crise mundial e exigir uma democracia real – diferente da qual nós vivenciamos, cujo maior compromisso parece ser com os grandes bancos; em vez de ser com o povo. Nesse contexto, a situação era calamitosa: governos, em crise, impunham fortíssimos regimes de austeridade para recuperar financeiramente os banqueiros. O pensamento geral era de que essas gestões não poderiam se afastar ainda mais da democracia; todos estavam, contudo, enganados.

As quedas de Papandreou e de Berlusconi surgiram como uma breve brisa de esperança à população de seus países. Agora, finalmente, convocar-se-iam novas eleições e o novo representante seria um defensor dos indivíduos comuns; essa impressão, no entanto, provou-se absurdamente equivocada. Ao invés disso, nomearam-se dois “técnicos”, que sabem como recuperar a economia de países falidos: Mario Monti e Lucas Papademos.

Todavia, esses escolhidos dão indícios de que não fugirão da clássica receita europeia de salvação econômica: medidas de austeridade e apoio financeiro às poderosas multinacionais. Esse método de gestão - pautado na incessante busca por estabilidade econômica e desinteressado em subsidiar melhorias na condição de vida da população – representa, justamente, o que o povo menos quer agora.

Uma democracia real e vigorosa parece, a cada dia, mais longe da Europa – a grande representante desse sistema. Houve, afinal, uma troca absurda: dois gestores incompetentes (mas eleitos, mesmo que sem um debate pleno, pela maioria) por dois gestores “competentíssimos”, que pouco se importam com os cidadãos usuais e – pior – nem foram eleitos.

Isso mostra o quão frágil e delicada é a democracia, que pode ser, imediatamente, rompida pelos interesses de uma nababesca minoria. Deduz-se: enquanto houver tamanha discrepância de riquezas, com 1% detendo mais capital que 99%, o poder político nunca chegará às mãos do povo, fruiremos, apenas, de uma ditadura escrava dos abonados empresários.