quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PCdoB e a votação do aumento salarial

Militante, cara de esquerda, amigão do povo, inimigo das desigualdades sociais. É assim que um deputado se descreve, passa toda a campanha prometendo ajuda ao MST, ao combate à miséria e às causas da esquerda. Mas, quando chega a hora de selar o compromisso com tudo isso, na hora em que vem uma votação sobre o aumento do salário dos deputados (como essa do dia 15 de Dezembro), o que ele faz? Joga no lixo tudo que defendeu e, pelo benefício próprio, vota à favor. Quem faz isso não é esquerdista, é um enganador. E enganadores são os deputados do PC do B que votaram pelo aumento.

É necessário entender que, quando um político de direita aumenta os próprios ganhos, isso é natural. Afinal, se ele defende a concentração de renda, por tabela é dever dele defender o aumento salarial do legislativo (que já é bem remunerado, sem contar os benefícios). Claro, que se eles defendem o interesse dos ricos, é lógico que defenderão os seus próprios interesses, pois este é o segmento da sociedade na qual eles se encontram. Porém, quando alguém diz defender o povo e faz isso, ele não está condizendo com seus ideais e está traindo tudo que defendia como mais sagrado.
Por isso que, quando alguém da esquerda vota a favor de um aumento inconseqüente como esse, o problema extrapola a linha da falta de consciência social para o puro mau-caratismo. Se uma pessoa é uma militante do PCdoB (por exemplo) ela tem tal consciência, por conseguinte ela age de má fé, pois sabe que muitas pessoas morrem de fome, morrem em filas de hospital, ou tem o futuro ceifado por causa de uma educação precária. Quando os PCdoBistas decidiram por tal crescimento salarial, eles consentiram com a diminuição de verbas para indivíduos que precisavam e, por tabela, com o assassinato, o homicídio de milhares de pessoas. E eles sabiam disso.

Por isso, quando os trinta deputados do PP votam à favor de tal ato criminoso, é natural por parte desse partido. Mas, quando são pessoas do PCdoB que fazem isso, um sentimento de decepção surge no coração de milhões de pessoas que sonhavam com uma política decente, e é com essa decepção que escrevo o ponto final deste texto.

Tabela


Eis aqui uma tabela com a lista dos partidos e quantos deles votaram à favor da urgência da votação (e, conseqüentemente, aprovação) do aumento dos salários em 60%.

PS: Ordem crescente de porcentagem de sim.

Partido: Auto-explicativo.
Deputados: Nº de deputados que votaram.
Sim: Nº de deputados que votaram sim.
%: Porcentagem de deputados que votaram sim.

Ranking dos partidos que mais votaram à favor

Ranking de partidos que mais votaram à favor da urgência da discussão do aumento dos salários do legislativo.

Quais são os critérios de votação?
1) Porcentagem de votos à favor
2)Desempate: Número de votos à favor

1º) PP

trinta deputados do PP votaram e todos eles aprovaram a urgência do aumento dos salários, totalizando 100% de votos.

2º) PCdoB

Sete deputados votaram e todos aprovaram. Ou seja: 100% do PCdoB votou à favor.

PS: Resultado vergonhoso para um partido que se julga de esquerda.

3º) PRB

Quatro deputados do PRB votaram, todos aprovaram. 100% votou à favor.

4º) PHS e PMN

Cada um teve dois deputados votando. Todos votaram à favor, ou seja: 100% para os dois.

6º) PTdoB

Apenas um deputado do PTdoB votou e ele foi à favor, chegando ao resultado: 100% do partido votou à favor.

7º) DEM

Trinta e três (33) partidários do DEM votaram, trinta e dois (32) disseram sim. Totalizando 96,96% do partido à favor.

PS: Parabéns Major Fábio, foi o único do partido à votar contra. Se alguém for votar em algum democrata, sugiro-o.

8º) PR

Vinte e Três votaram, vinte e dois foram à favor. 95,65%.

PS: O único que não votou sim, foi o sr. Inocêncio Oliveira, que não votou, pois presidia a sessão.

9º) PMDB

Sessenta e seis votaram, sessenta e três votaram sim. 95,45%

10º) PTB

Dez votaram, nove foram à favor. 90%

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Eis aqui os 10 piores, mas lembre-se: Só 18 partidos votaram, então, por exemplo, o PTB é o 9º melhor partido, o PMDB o 10º e por aí vai.

Votemos melhor daqui à quatro anos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Conto para uma Senhora

- Ei, Jão, acorda, Jão!
Jão acordou e viu, subitamente a imagem de, seu amigo de longa data, Zé.
-Jão...
-Que foi, Zé? Que que você quer comigo, agora?
O sonolento homem tentou parecer furioso com o companheiro, mas ele não conseguia. Na verdade, adorava quando era acordado assim. Seu irmão de outra mãe, sim, a relação deles não poderia ser menor que isso, sempre soube anima-lo. Nesses momentos difíceis, ele o acordava no meio da madrugada. Geralmente para contar uma piada ou uma notícia engraçada, Jão esperava ansiosamente pelos momentos em era acordado à noite.
-Nossa vida é bem dura, né?
-Sim, é sim.
Estranhou essa frase dita pelo outro, será que Zé tinha percebido que a vida não é uma anedota? Será que ele finalmente viu que, enquanto eles passam fome nessa rua, pessoas fazem o mal e se dão bem?
-Pois é, ser morador de rua é foda. Será que não tem nada de bom para a gente nessa vida?
Jão gelou. Sim, seu amigo tinha se dado conta de quão vil é esse mundo. Logo ele que sempre fazia esse ambiente irascível ficar habitável, logo ele, que quando chegou na calçada como novo morador de rua, contou a famosa piada do aluguel. Logo ele.
Rememorou-se do dia em que o conheceu, Jão já era acostumado à viver na rua. Nasceu em família pobre, com pai alcoólatra, até que fugiu de casa e ficou morando nas ruas. Conhecia bem demais os lugares e tinha certeza que ninguém lidava tão bem com aquilo quanto ele. Até que chegou Zé, que sabia falar, se expressar, até alguns contos ele conhecia! Zé devia ter alguma coisa e a perdeu, mas, mesmo assim, conseguia levar a vida feliz e melhor que o próprio Jão.
Logo a amizade se formou e os dois eram, do grupo de 8 mendigos que dormiam juntos debaixo da ponte Sófocles Queiroz, os mais chegados. Todos adoravam o Zé, ele alegrava o lugar, tranqüilizava-os. Mas, agora, até o mais otimista deles estava cheio. E agora? Quem ia contar as tragédias gregas com um toque cômico? Quem ia tirar sorrisos de homens solitários, pobres, sem dentes nem futuro? Quem ia os fazer esquecer essa injustiça mortal que se chama mundo? Jão estava em pânico.
-Jão! Jão!
-Hã?
-Será que nós temos pelo menos uma vantagem?
Jão ficou mudo.
-Temos sim!- E Zé tirou do bolso um jornal, com uma senhora loira e cheia de plásticas na capa- A Vera Fischer não escreve pra gente! Graças a Deus! Hahahahahahahaha.
A piada foi recebida com risos estridentes, mas eles não riam do valor cômico da frase em si, mas, também, porque Zé estava de volta.
A vida podia ser aturada.