É necessário entender que, quando um político de direita aumenta os próprios ganhos, isso é natural. Afinal, se ele defende a concentração de renda, por tabela é dever dele defender o aumento salarial do legislativo (que já é bem remunerado, sem contar os benefícios). Claro, que se eles defendem o interesse dos ricos, é lógico que defenderão os seus próprios interesses, pois este é o segmento da sociedade na qual eles se encontram. Porém, quando alguém diz defender o povo e faz isso, ele não está condizendo com seus ideais e está traindo tudo que defendia como mais sagrado.
Por isso que, quando alguém da esquerda vota a favor de um aumento inconseqüente como esse, o problema extrapola a linha da falta de consciência social para o puro mau-caratismo. Se uma pessoa é uma militante do PCdoB (por exemplo) ela tem tal consciência, por conseguinte ela age de má fé, pois sabe que muitas pessoas morrem de fome, morrem em filas de hospital, ou tem o futuro ceifado por causa de uma educação precária. Quando os PCdoBistas decidiram por tal crescimento salarial, eles consentiram com a diminuição de verbas para indivíduos que precisavam e, por tabela, com o assassinato, o homicídio de milhares de pessoas. E eles sabiam disso.
Por isso, quando os trinta deputados do PP votam à favor de tal ato criminoso, é natural por parte desse partido. Mas, quando são pessoas do PCdoB que fazem isso, um sentimento de decepção surge no coração de milhões de pessoas que sonhavam com uma política decente, e é com essa decepção que escrevo o ponto final deste texto.
