terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Inaudível Clamor Popular - sobre a troca de poderes na Grécia e na Itália

Vários manifestantes se reuniram na Europa para protestar contra a crise mundial e exigir uma democracia real – diferente da qual nós vivenciamos, cujo maior compromisso parece ser com os grandes bancos; em vez de ser com o povo. Nesse contexto, a situação era calamitosa: governos, em crise, impunham fortíssimos regimes de austeridade para recuperar financeiramente os banqueiros. O pensamento geral era de que essas gestões não poderiam se afastar ainda mais da democracia; todos estavam, contudo, enganados.

As quedas de Papandreou e de Berlusconi surgiram como uma breve brisa de esperança à população de seus países. Agora, finalmente, convocar-se-iam novas eleições e o novo representante seria um defensor dos indivíduos comuns; essa impressão, no entanto, provou-se absurdamente equivocada. Ao invés disso, nomearam-se dois “técnicos”, que sabem como recuperar a economia de países falidos: Mario Monti e Lucas Papademos.

Todavia, esses escolhidos dão indícios de que não fugirão da clássica receita europeia de salvação econômica: medidas de austeridade e apoio financeiro às poderosas multinacionais. Esse método de gestão - pautado na incessante busca por estabilidade econômica e desinteressado em subsidiar melhorias na condição de vida da população – representa, justamente, o que o povo menos quer agora.

Uma democracia real e vigorosa parece, a cada dia, mais longe da Europa – a grande representante desse sistema. Houve, afinal, uma troca absurda: dois gestores incompetentes (mas eleitos, mesmo que sem um debate pleno, pela maioria) por dois gestores “competentíssimos”, que pouco se importam com os cidadãos usuais e – pior – nem foram eleitos.

Isso mostra o quão frágil e delicada é a democracia, que pode ser, imediatamente, rompida pelos interesses de uma nababesca minoria. Deduz-se: enquanto houver tamanha discrepância de riquezas, com 1% detendo mais capital que 99%, o poder político nunca chegará às mãos do povo, fruiremos, apenas, de uma ditadura escrava dos abonados empresários.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Esqueça a corrupção, indigne-se com o sistema.

É tendência da mídia incitar o povo para se revoltar contra a corrupção. Essa concepção, todavia, está errada. Esse mal não pode ser esvurmado de um país em um sistema capitalista injusto e competitivo como o nosso. Enquanto ainda houver a cobiça de obter o mais caro automóvel e de usufruir os mais nababescos hábitos, os políticos – e os cidadãos – sempre buscarão meios, dentro ou fora da lei, de enriquecer. Deduz-se, assim, que protestar contra a corrupção não passa de esforço à toa. Urge que as manifestações se voltem para o real problema: esse capitalismo selvagem, que suscita a competição e a autodestruição entre o gênero humano.

Se nosso Estado fosse igualitário e se nossa população estivesse mais interessada em garantir justiças sociais e progressos por meio da mútua ajuda, os furtos ao dinheiro público seriam inexistentes, afinal, supondo que os políticos adquiririam consciência social, eles não cometeriam a nefasta injustiça de usurpar os direitos do povo, este que sofre a cada dia para sobreviver. Nosso país, contudo, é regido pelo princípio da “meritocracia”, que – na verdade – só fomenta as desigualdades e faz com que os ambiciosos cometam os mais nocivos atos para ter “sucesso” na vida.

É verídico que movimentos contra a corrupção, mesmo que com o foco errado, podem trazer benefícios para o povo. Percebe-se, no entanto, que se está criando o mais pernicioso método de criticar a improbidade com o dinheiro público: o meio egoísta. Nada é mais frustrante que ver um indivíduo da classe A, que tem todos os luxos disponíveis, reclamar: “estão roubando o meu dinheiro! Os políticos estão, por meio dos impostos, roubando meu capital!”. Estão, na verdade, deixando de aplicar o dinheiro para melhorar a vida de quem está em más condições. Estão privando a educação de milhões de crianças, estão perpetuando a desigualdade, trazendo injustiça! Os mais abonados não precisam de apoio, não precisam desse dinheiro! Revoltem-se com a corrupção, por favor, mas revoltem-se pelas injustiças que ela traz e não pelo prejuízo do seu bolso!

Os meios midiáticos, para ter sucesso em suas convocações de indignação, usam o argumento individualista, preconceituoso, que só suscita mais competição entre todos. Isso é algo errado, assim a espécie humana nem sobrevirá para reclamar de quem não segue a lei.

Descobre-se, por conseguinte, esta ilação: em um mundo injusto, em um sistema injusto, a corrupção e a desigualdade são inerentes, inevitáveis. Só em um Estado harmonioso e de cooperação é que o furto de dinheiro público será abolido.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ignorância ou Oportunismo?

Movimentos similares ao “Occupy Wall Street” – que criticam subsídios governamentais às grandes empresas privadas - foram realizados no Estado do Paraná. Isso era evidente por causa de placas como “Democracia real já” e várias máscaras. Qualquer indivíduo que tenha ouvido falar das manifestações de Nova Iork perceberia que os cidadãos agiam corroborando com os ideais do movimento-gênese.

Uma afiliada de uma popular emissora (plim-plim), todavia, não “constatou” isso e definiu – de forma absurdamente errônea - os protestos como “contra a corrupção”.

Resta, então, uma dúvida: será que os jornalistas desse “respeitável” programa são tão desconhecedores do que ocorre no mundo? Provavelmente não.

É plenamente plausível esta hipótese: a emissora - que vem apoiando “marchas contra a corrupção” - após perceber a lúgubre, e escassa, participação popular nas marchas do canal, resolveu mentir e mostrar as manifestações como reações à usurpação do dinheiro público. Assim, pelo “efeito manada”, mais pessoas se sentiriam dispostas a “lutar contra os políticos ladrões” e, dessa forma, o real objetivo da empresa midiática – relacionar o governo à corrupção e tentar tirá-lo do poder – tornar-se-ia mais próximo.

Se essa verossímil dedução estiver correta, houve uma terrível manipulação por parte da emissora. Senão, o jornalismo tupiniquim conseguiu reunir as mais ineptas pessoas da face da terra.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Estaria o capitalismo definhando?

Em vários protestos da atualidade, percebe-se que, a cada dia que se passa, mais a população não aceita a forma oligárquica com a qual os governos distribuem as riquezas de seus respectivos países. Considerável parte dos indivíduos não aceita mais essa guerra desenfreada para ganhar dinheiro, essa voraz competição entre todos. Competição que, aliás, é absurdamente injusta, sempre visando o sucesso de uma poderosa minoria. Movimentos nas Grécia, na Espanha, em Portugal e, até, nos EUA são destaques. Esses protestos benfazejos vêm animando muitos ativistas que pensam: “finalmente, o capitalismo ruirá”. Vários aspectos, no entanto, mostram que o fim completo desse sistema injusto não está próximo. Essas manifestações, contudo, não devem ser menos festejadas, elas podem trazer excelentes benefícios a toda a população mundial.

O modo capitalista de produção ainda está muito fixado no ideário popular. A busca por tablets e tecnologias da moda ainda supera a vontade de uma vida em harmonia, de respeito e cooperação entre todos os seres humanos. É bem verdade que movimentos como o Ocuppy Wall Street já demonstram que tencionam esse equilíbrio espiritual, mas estes são minoria. Já dizia José Saramago: “não é possível construir o socialismo sem uma mentalidade socialista.”. Nossa sociedade, até agora, ainda demonstra a avareza capitalista: o individualismo flui absurdamente, a preocupação com a própria condição impera e o descaso com o próximo é evidente. Deduz-se, então, que um sistema de mútua cooperação entre os cidadãos não chegará agora.

Esses movimentos, mesmo assim, podem representar um marco: o fim do neoliberalismo, desse ramo do capitalismo que defende a “não intervenção do estado” e, de forma contraditória, financia os mais ricos banqueiros. O povo, agora, não aceita mais essas mentiras e exige que o governo trabalhe para melhorar a vida da maioria e não de poucos aristocratas do sistema financeiro. Se as reivindicações de agora forem atendidas, os novos Estados beneficiarão mais os cidadãos. Gerar-se-á um novo sistema muito semelhante ao Wellfare State – Estado de Bem Estar social -, que estará plenamente disposto a suscitar melhores condições para a população. Essa mudança já seria uma grandiosa vitória para o mundo e para a democracia verdadeira.

Evidencia-se, por conseguinte, esta ilação: as manifestações que despontam contra o neoliberalismo não trarão um governo essencialmente igualitário. Elas, todavia, podem nos apresentar um sistema muito superior do ponto de vista social, e – a partir dessa mudança – um governo plenamente benfazejo estará mais próximo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ocupar Wall Street - O movimento

Surge, nos Estados Unidos, um movimento diferente dos outros e que detém uma enorme abrangência de participação: trata-se do Ocuppy Wall Street (Ocupar Wall Street, como vem sendo chamado no Brasil). Um dos lemas dessas manifestações pede benefícios aos 99% e o fim dos excessivos privilégios ao 1%. A esmagadora maioria é o povo, a ínfima minoria são os banqueiros, os ricos financeiros de Wall Street.

O país americano sempre foi um exemplo da inversão de valores que os governos podem tomar. A nação do tio Sam gasta bilhões para salvar bancos da falência e não tem, sequer, um sistema de saúde pública. Os abastados lá – como aqui no Brasil – pagam menos impostos proporcionalmente. Resultado: a maioria, as pessoas simples têm que labutar arduamente para garantir o terno importado do financeiro rico.

Parecia que o povo estadunidense estava alienado pelo falacioso argumento de que “quem tem dinheiro fez por merecer”. Apenas parecia. Os manifestantes perceberam o quão mentirosa e perniciosa é essa ideia e já chegaram à mais óbvia e benfazeja conclusão que há na política: o bem deve ser propiciado à maioria e a quem mais sofre com as acerbas condições impostas pelo capitalismo selvagem.

Por isso, há a reivindicação de taxação aos mais abonados, de maior apoio social aos cidadãos comuns e de um sistema político-econômico mais justo, sustentável e pautado no princípio da equidade.

Analisando a construção desses protestos – pacíficos, que fique bem evidente – imagina-se que duas frases, que se tornaram famosas, estavam certas desde que foram criadas.

“A revolução não será televisionada” e sua paródia “A revolução será tuitada” são os trechos que vem sendo confirmados. A mídia americana simplesmente ignora o Ocupar Wall Street – mesmo que o número de manifestantes já seja bastante considerável – e as ferramentas da internet aparecem como grandes aliadas do movimento – exemplo disso é a transmissão online do protesto http://www.livestream.com/globalrevolution.

Não se sabe até onde isso irá. Alguns sonham, até, com reformas mais estruturais em todo o planeta e há quem julgue o fim dessa aglomeração como questão de tempo. O resultado e outros aspectos mais profundos dessas manifestações só serão percebidos no futuro. Constata-se, contudo, que o sentimento de cidadania – pelo menos nesses 19 dias de protestos – surgiu e a vontade de emancipação das punições do “Deus mercado” também.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sexualidade no Estatuto da Juventude

Movimentos pela liberdade sexual, principalmente das mulheres, encorparam-se nos anos 60 e, após muita luta, diversos paradigmas foram quebrados e, pouco a pouco, a emancipação sexual da maioria dos jovens foi propiciada. Desde então, o sexo tornou-se parte essencial da vida de muitos indivíduos. Esse liberalismo, todavia, pode levar algumas pessoas à banalização das relações ou, no outro extremo, a frustrações por um insucesso na vida amorosa. Por isso é necessário que o Estado propicie informação a esse setor da sociedade com aulas sobre sexualidade.

Já está incrustado na geração do século XXI: o amor, ou menos, leva ao sexo, e este se tornou a maior, e mais importante, demonstração de apreço entre os casais. Assim, a relação amorosa virou algo corriqueiro e, então, ter uma sexualidade bem resolvida e conhecer o próprio corpo tornou-se, mais do que nunca, necessário para que se possa alcançar a felicidade, a satisfação pessoal. As aulas sobre esse tema – que foram propostas pelo Estatuto da Juventude - ajudariam muitos a alcançar tais conhecimentos sobre si mesmo e, consequentemente, trariam muitos benefícios a grande parcela dos estudantes.

O conservadorismo, contudo, cega certas pessoas. Estas julgam que o contexto histórico atual não mudou. Para elas, os jovens continuam assexuados, “imagine, eles mal saíram das fraldas!”. Não importam as inúmeras pesquisas que afirmam: alunos do ensino médio já têm vida sexual ativa. Para os indivíduos retrógrados, esse tipo de educação “estimularia a pedofilia” ou “faria apologia ao sexo”. Sabe-se, entretanto, que esses argumentos são desprovidos de razão. Na verdade, o maior mal que pode acontecer é a não realização das aulas sobre sexualidade. Porque isso acarretará em vários jovens frustrados sexualmente, tristes e envolvidos em relações infelizes, em uma família mal estruturada.

Deduz-se, então, que é plenamente benfazeja à população jovial a instauração de aulas de sexologia. Pena que muitos políticos, presos nas amarras da ignorância, não consigam fazer esse óbvio raciocínio.

domingo, 11 de setembro de 2011

Aos líderes da mídia: sobre o 11 de setembro

Aos líderes da mídia: sobre o 11 de setembro

Constatei, mais uma vez, que os senhores responsáveis pela mídia brasileira passaram mais um onze de setembro prestando homenagens aos mortos no ataque terrorista ao pentágono. Entendam, não sou alguém sem coração que “já perdeu a paciência por causa de tantas matérias repetidas”. Na verdade, até me julgo um indivíduo com ideais humanitários e creio que o respeito às vítimas de violência é necessário. Noto, todavia, que a mídia vem valorizando a vida de alguns seres humanos em detrimento da de outros.

Os mortos do onze de setembro são incessantemente lembrados, mas há outros óbitos que vem sendo amplamente olvidados. Por exemplo: existem milhares de civis iraquianos que tiveram suas vidas ceifadas por causa de uma guerra infundada, que tinha em seu mais íntimo centro apenas um objetivo, o de conquistar petróleo. Entendam, senhores, que temos outras inúmeros casos como esse, vejam as crianças que morrem de fome na Somália, os chineses que são julgados e condenados à pena de morte por crimes políticos e os brasileiros que - sem julgamento - são condenados à mesma pena e morrem na mão da polícia.

A impressão que fica ao ver tamanha discrepância de tratamento a vítimas de atentados ou mortes violentas é a de que alguns indivíduos valem mais que os outros. Parece que o óbito de um estadunidense é mais importante – e, portanto, deve ser noticiado inúmeras vezes – que o óbito de um iraquiano ou de um brasileiro morador de uma comunidade. Isso, segundo o princípio da isonomia, é uma falácia e não deve, em nenhum momento, ser incentivado.

Fica, então, apenas um apelo meu aos senhores: tirem um dia do ano para lembrar de todos esses mortos que, aparentemente, vocês esqueceram. Afinal, creio que privilegiar alguém só porque este nasceu em um país desenvolvido é algo injusto e que suscita malefícios à sociedade.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tributos, por favor, tributos.

Tributos, por favor, tributos.

Existem dois fatos sobre a tributação e a saúde que não podem ser, em nenhum momento, olvidados. O primeiro: inúmeras pessoas não têm condições para pagar um tratamento em hospital particular e, por isso, são plenamente dependentes do sistema público. Este, infelizmente, exprime muita precariedade e, várias vezes por falta de recursos, não consegue responder à demanda imposta. Isso leva milhões de brasileiros a uma vida dolorosa, de privações e, ainda, a uma morte agonizante.

O outro fato: banqueiros, profissionais liberais, políticos e muitos outros, todo dia, gozam de excelente saúde e gastam um montante de dinheiro enorme a fim de usufruir, por exemplo, de uma lagosta preparada por um célebre chef.

Não creio que seja errado alguém buscar prazeres. Creio, todavia, que nada justifica tamanha discrepância de situações. Mas, talvez, seja apenas um pensamento radical meu. Vejam só, que audácia, eu deduzo que o direito de um pobre à vida é maior que o direito do nababo de saborear uma caríssima lagosta ao molho de caviar. Pois é, sou mesmo um comunistazinho exagerado.

Então, segundo esse meu ideal “absurdo”, suponho que um novo imposto para a saúde, que visasse causar ônus apenas aos indivíduos das classes mais abastadas seria algo plenamente justo e benfazejo.

Justo porque, proporcionalmente, as classes mais humildes pagam mais tributos que os mais ricos, e benfazejo porque salvar a vida de outros é algo que suscita o bem, obviamente.

Há, contudo, um empecilho bem sério, que quase impossibilita a aplicação de novos impostos: a opinião dos mais abonados é sempre ouvida, enquanto a dos miseráveis é esquecida. Tal injustiça ocorre por causa das condições de cada um, os grandes empresários são quem controlam os jornais, a mídia e, visando o benefício próprio, não perdem uma chance de publicar ser ideal burguês-liberal: “fui eu que trabalhei, o dinheiro é meu e ninguém tasca!”. Não se pode esperar o mesmo de uma pessoa sem condições que perece na fila de um hospital. É difícil, afinal, articular bem a própria opinião se a sua principal preocupação, agora, é se sua vida será mantida.

Isso, obviamente, mostra que o Brasil – além de ser um país desigual – propicia um debate desigual sobre a aplicação dos tributos. Nenhuma grande novidade, para a terra em que os editores de jornais saboreiam suas lagostas e criticam aumento dos impostos, enquanto outros têm suas vidas ceifadas pelo descaso do governo e pela má distribuição de renda.

domingo, 21 de agosto de 2011

O Estado Laico e uma Insurreição Ética

Um pastor, enfurecido, brada aos quatro cantos do mundo: “Sabem por que o Estado não pode ser laico? Porque sem uma religião bem definida pereceremos! Só Jesus faz as pessoas fazerem o certo! Sem a religião ninguém temerá o inferno e todos serão maus!”. Esse inepto pensamento é recorrente na cabeça de vários fundamentalistas religiosos. Ele, todavia, está completamente equivocado. A laicidade do Estado, na verdade, traz uma insurreição ética ao país.

Já dizia Aristóteles em sua obra “Ética a Nicômaco” que o bem deve ser feito, ansiado, por ele mesmo, sempre sem visar alguma recompensa. O pensamento imposto pela maioria das religiões, então, não suscita ações éticas, afinal todas as boas ações que são pregadas por esse ideal visam um grande prêmio: a estada ao lado do Nosso Senhor Todo Poderoso, no paraíso. Pode-se, assim, concluir que o bem e o certo não são feitos visando justiça ou o bem-geral, o altruísmo religioso não passa, muitas vezes, de uma troca para chegar ao céu, algo muito parecido com o político que só faz as coisas visando uma reeleição.

Quando alguém, todavia, faz atos benfazejos sem buscar um cantinho na terra-dos-bons, esta pessoa está, certamente, agindo do modo mais nobre e próximo do certo. Um exemplo disso – que ironia! – são os atos de Jesus Cristo, cujo destino já estava traçado (a morte na cruz) e, movido apenas pela vontade de trazer o bem, realizou uma série de ações destinadas, apenas, à melhora da vida de todos.

Pode-se, então, chegar à ilação de que, quanto mais afastado de dogmas, mais próximo do sumo-bem alguém estará, mais próximo do bem de Jesus, de Mandela, de Gandhi alguém estará. É dever do Estado dar a liberdade religiosa a todos e, assim, todos poderão escolher se querem seguir um bem dogmático, ou um bem superior, por ele mesmo.

domingo, 7 de agosto de 2011

Muito Além da Alienação Global

Existe uma alienação grosseira e evidente, cujo discernimento é de relativa obviedade. Ela pode ser exemplificada como a manipulação política que é aplicada por grandes meio midiáticos, como a Globo, a Folha e outros. Eles se utilizam de interpretações erradas a seu próprio favor, omissão de dados importantes, conclusões com ausências de provas e outros meios para ludibriar o cliente e, dessa forma, obter o controle sobre a opinião dos indivíduos. Esse método não é tão difícil de ser percebido e, inclusive com o apoio da web, a cada dia se torna menos eficiente.

Realmente, a sociedade vem dando menos crédito a instituições ardilosas e manipuladoras. Isso pode ser observado, por exemplo, no protesto “Cai Fora Ricardo Teixeira” e nas reações de muitos blogueiros a uma lista de princípios éticos da Rede Globo que foi anunciada recentemente pela emissora.

Surge, todavia, uma falsa concepção de que se estaria, finalmente, livrando-se da alienação e Marx estaria sorrindo e gritando: “Finalmente! O povo brasileiro está livre!”. Ledo engano. Não se pode, de maneira nenhuma, duvidar que essa libertação do domínio midiático seja benfazeja, porém não se deve criar ilusões e julgar que a alienação e a manipulação saltaram fora de nosso horizonte.

Daqui a vinte anos, talvez, ninguém mais cairá na enganação empregada pela grande mídia. Todavia, continuará a alienação. O interessante é que, geralmente, quando alguém escreve sobre os alienados, o autor julga estar fora desse grupo. Eu, porém, julgo-me dentro desse controle que transcreverei aqui: a alienação suprema.

É imprescindível a percepção de que ninguém está fora desse efeito manipulador que citei. Trata-se de algo superior, que nossa imaginação mal consegue inventar. Todos estamos mergulhados nesse problema, nessa ignorância.

Pode vir, agora, um questionamento: “Ora, se isso existe, como se sabe que ele está presente? Prove-me”. O que comprova a existência dessa tal alienação é a condição na qual nosso mundo se encontra: fome e desigualdade no meio de uma época em que criamos as mais geniais tecnologias! Se fossemos um povo dotado da mínima inteligência ou autonomia não aceitaríamos isso. Tamanha injustiça não deveria ser tolerada, esse mal, em tese, deveria ser apunhalado e ceifado pela consciência humana. Todavia, algo prende a mão que segura o punhal. É essa alienação suprema que aprisiona a ação dos nossos sentimentos de justiça.

Se não estivéssemos envolvidos por essa ideia oculta, viveríamos em um mundo correto, como irmãos e com bens vitais distribuídos de forma equânime; não reinaria a lei do mercado, mas sim a da equidade; não nos mataríamos de forma covarde e nem roubaríamos o pão de quem tem fome; não seríamos coniventes com tamanha injustiça que está incrustada no centro do sistema. Se fossemos livres, livres de verdade, o mundo seria humano, e não essa monstruosidade.

Urge, por conseguinte, os maiores esforços imagináveis para quebrar essa alienação gigante e invisível que nos impede de viver em um lugar melhor. Talvez ela esteja nos lugares em que menos procuramos, talvez no dinheiro, talvez ela seja somente algo de nossa imaginação e, dessa forma, nos prende apenas de forma psicológica. O fato inegável é que não devemos ficar apáticos, nossa vida deve sempre visar a destruição desse mal desconhecido para que, enfim, um mundo igualitário e que respeite a natureza seja possível.

domingo, 24 de julho de 2011

A Dúvida Cartesiana como auxílio à política

A Dúvida Cartesiana como auxílio à política

Descartes foi um filósofo que, visando descobrir a verdade geral e inegável, refutou as próprias ideias iniciais e, dessa forma, passou a duvidar de todas as ideias e raciocínios que tivesse. Essa ação, todavia, não pode ser caracterizada como um posicionamento cetiscista, afinal, como explicou o próprio autor, essa dúvida não vinha com o intuito de negar a existência de uma verdade, vinha, sim, como um instrumento que o auxiliaria a, finalmente, chegar a esse conhecimento irrefutável.

Eis aqui um trecho em que o criador do método ressalta o que foi comentado no primeiro paragrafo: “extirpava do meu espírito todos os equívocos que até então nele se houvessem instalado. Não que imitasse, para tanto, os céticos, que duvidam só por duvidar e fingem ser sempre indecisos: pois, ao contrário, todo o meu propósito propendia apenas a me certificar e remover a terra movediça e a areia, para encontrar a rocha ou a argila.”.

Tais dúvidas ajudaram imensamente Descartes na descoberta da, para ele, primeira verdade indubitável: “Penso, logo existo”. Será que tão palpável e genial ideia seria formulada sem o incansável questionamento que o filósofo aplicava em suas teorias? Provavelmente, não.

Aceitando que a dúvida cartesiana tem efetividade e funciona em uma ciência tão subjetiva quanto a filosofia, pode-se formular um raciocínio sobre qual seria sua aplicabilidade em outras como, por exemplo, a política. É, justamente, sobre isso que este texto trata. Elencar-se-ão, aqui, as vantagens que esse instrumento pode trazer na execução de cargos públicos.

Não tenho nenhum conhecimento superior em ciências políticas, por isso minhas conclusões serão simplórias e evidentes, com o único objetivo de suscitar a reflexão em mentes mais iluminadas que a minha.

É conceito sedimentado pelo senso comum que a principal função de um político é garantir o bem-estar da sua população e do estado. Então, fazendo uma breve comparação, o bem-estar geral seria a verdade indubitável, o objetivo que deve ser procurado. Dessa forma, imagina-se que, ao inserir a dúvida metódica na mente do político, o indivíduo comentado deve questionar, primeiro, suas próprias ideias: “Será que minha proposta de governo levará, realmente, as pessoas a uma vida melhor?”. Fica evidente que alguns ideais seriam de pronto esvurmados. Entre eles estariam o nazismo, por exemplo, que geraria um inicial mal à população para que alguns sortudos pudessem, posteriormente, usufruir de benefícios. Poder-se-ia passar uma era julgando cada ideologia, porém isso demoraria muito, portanto, o mais justo é que cada um, individualmente, reflita se seus posicionamentos políticos levam a esse caminho.

Depois, deve-se passar a atenção sobre as pessoas que comporão o seu governo. “Esse indivíduo tem a competência e a ética necessária para trazer benefícios ao povo e ao estado?”. De certo modo, é isso que a Dilma deveria se perguntar ao fazer a “faxina” no ministério de transportes. Para seguir - ainda mais - o pensamento Cartesiano, a presidente deveria, primeiro, expulsar todos os funcionários e, a partir daí, compor seu novo ministério. Todavia, da mesma forma que Descartes formulou uma moral provisória após negar todas as suas ideias, a partidária do PT precisaria de um ministério provisório. Essa maciça demissão não caracterizaria uma opinião da chefe de estado de que não existem políticos honestos. Caracterizaria, sim, que ela tomou essa decisão para chegar à melhor composição possível de ministério.

Por conseguinte, pode-se chegar à ilação de que a dúvida cartesiana acrescentaria muito à política brasileira se fosse adotada por todos os parlamentares e representantes do executivo. Afinal, levaria as pessoas a uma maior reflexão sobre como chegar ao bem-comum e, dessa forma, corrigiria muitos erros. Assim, torna-se evidente que Saramago estava coberto de razão quando falou que “A filosofia deveria ser incluída entre os direitos humanos, e toda a gente teria direito a ela”.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Porquê dos Brasileiros não se Revoltarem

João sai de casa, são sete horas da manhã, mas ele não sabe. Esse desconhecimento dele quanto à tão importante informação deriva de dois motivos principais: ele não consegue acumular capitais suficientes para a aquisição de um relógio que dure mais que uma semana e, também, não lhe serviria muito bem um marcador de horas por causa de seu trabalho. João é carrinheiro. Na hora de levantar o lixo, pegar latinhas e empurrar o pesado carro, geralmente, ele suja o próprio pulso e, casualmente, bate-o em superfícies duras, como a tampa de um lixão. Assim, torna-se evidente que um apetrecho como o já citado, mesmo que de qualidade, não resistira muito à dura rotina que João vivencia.

Nosso personagem, não obstante, não sente falta desses objetos, que julga meramente supérfluos e desnecessários. Claro, ele não os descreveria dessa forma, afinal, fora obrigado a largar a escola aos onze anos para ajudar a família. Não pensemos, por favor, que o carrinheiro tenha origens despóticas. A mãe dele teve que optar: ou o filho ajudaria nas despesas, ou eles morreriam de fome. Analisando por esse lado, foi, de certa forma, uma sábia decisão que a matriarca tomou. Devido aos motivos já elencados, o esforçado trabalhador comentaria isto sobre um apetrecho dotado da função de avisar o horário: “Não me ajuda em nada, não.”.

Na verdade, qualquer tipo de amenidade, como os dois primeiros parágrafos, é completamente olvidada por João. Não é que ele seja um monstro sem coração que não se emocionaria com o contato com as artes. Ele até, uma vez, compôs uma canção para uma jovem que, futuramente, tornar-se-ia sua mulher. O destino, todavia, surpreende-nos. Tanto é que a garota engravidou e, desde o nascimento da criança, o patriarca teve que suar para garantir o pleno sustento de sua família que, agora, conta com mais quatro componentes – três outros filhos e a mãe de sua esposa – que, como todo ser vivo, precisam de alimento.
Para cuidar dessa numerosa prole, ele trabalha incessantemente por dez horas. O leitor pode pensar: “Eu também trabalho dez horas e não vi nenhuma história sobre mim.” Porém, eu gostaria de arguir que a labuta do personagem dessa história não é simples como digitar memorandos. São dez horas de contato com sacos fétidos, ruas malcuidadas, objetos cortantes e, o pior, jovens limpinhos que, transbordando jactância e preconceito, olham-no com nojo e medo. No primeiro dia que isso aconteceu, João se indignou e decidiu que trocaria de trabalho. Porém, com a demora de ofertas de novos empregos, e a pressa da escassez de dinheiro, ele acabou se sujeitando a esses olhares e voltou à mesma desgastante função.

Por conseguinte, o carrinheiro chega sempre exaurido em casa e, pouco antes de ir dormir, vê um pouco de televisão, naquele canal que todo mundo assiste. Mal sabia ele, mas haveria algo de diferente na televisão, que o faria ver o quão ignorantes são os “homens da TV”.

Ao ligar o equipamento eletrônico, surge, na tela, um homem todo empetecado, em um terno chique, que brada ao povo: “por que os brasileiros não se indignam com esse atentado à moralidade que vem ocorrendo? Por que o povo não se revolta contra essa ominosa corrupção que assola o sistema governista? Por que a população não derruba essa presidente e o seu antecessor que introduziram esses males no Brasil? Levantemo-nos e derrubemos esse governo populista e criminoso! Esvurmemos essa acerba corja que controla nosso país!”.

Depois de tão inepto discurso, João olha para a mulher, que, prontamente, questiona-o, “Por que nós não fazemos nada?”. Ele pensa um pouco e, depois, rebate: “Olha, que eu saiba, corrupção já teve em tudo quanto é governo, político geralmente é safado mesmo. E mais: esse pessoal aí me parece menos pior, afinal, pelo menos, agora nossos filhos conseguem ir pra escola e nós não estamos passando tanta fome quanto já passamos”. A esposa fica orgulhosa e exclama: “Vixe! Meu marido é quase um político!”. João ri e, posteriormente, vai dormir. Em pouco tempo ele esquece a história e volta às suas rotineiras atividades. Afinal, como já dissemos, qualquer tipo de amenidade é completamente olvidada por João.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Exame da OAB e decisões judiciais

Saíram os resultados do último exame da OAB para a acepção de advogados. O resultado foi vexaminoso: apenas 9,7% dos candidatos foram aprovados. Muitos alunos, que parecem mais interessados nos churrascos e festas, criticaram a instituição, bradando que o exame era, simplesmente, muito difícil.

Realmente, o nível de exigência da prova é bem alto, todavia, não é admirável que seja realizado um teste para admitir, apenas, bons profissionais no mercado de trabalho? Outro ponto essencial da prova é que, a partir dela, pode-se julgar - com o mínimo nível de tendenciosidade - a qualidade dos cursos de direito no país. Na verdade, a rigidez na aplicação me parece mais benéfica que ruim, afinal, revela o como a educação do Brasil vem sendo inócua ao tentar fazer com que se produzam profissionais competentes.

As notícias, porém, não vêm mostrando uma excelência incorruptível nos profissionais de direito. Houve o caso do juiz em Goiás que, contrariando a jurisprudência, vetou a união civil entre homossexuais na cidade dele. Isso foi um ato indigno, injusto e, ainda por cima, contra a lei e o bem dos seres humanos. Todavia, quando se imaginava que nenhum juiz poderia atropelar os direitos humanos de forma maior, surge esta notícia: http://www.viomundo.com.br/denuncias/sakamoto-justica-manda-suspender-libertacao-de-trabalhadores-no-ms.html . A juíza Marli Lopes Nogueira, de forma esdrúxula, suspendeu um resgate a trabalhadores que viviam, praticamente, em escravidão e, ainda, definiu que os, explorados, funcionários deveriam voltar à labuta porque " a interdição está causando prejuízos irreversíveis".

Pode-se aferir, por conseguinte, que - mesmo que seja louvável a tentativa da OAB de selecionar os melhores profissionais e, dessa forma, mostrar o quão defasado está o sistema educacional do nosso país - sucesso em provas difíceis não garante respeito à vida dos nossos concidadãos e nem compromisso com a ética.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Carta de um leproso à marcha para Jesus

Jerusálem, 27 de junho de 43 d.C.

Prezados senhores participantes da marcha para Jesus.

Primeiro, gostaria de já me desculpar pela brevidade dessa carta. Eu tencionaria escrever várias páginas com mensagens e argumentações aos senhores, todavia, minhas mãos estão frágeis e não suportariam tanto trabalho. Vejam bem, não se trata de preguiça, não consigo escrever abundantemente, apenas, porque sofro de uma doença: lepra, e, como se pode averiguar na data, ainda não foram criados os remédios para essa doença que, quando medicada, permite que os doentes tenham uma vida relativamente normal. Portanto, minhas mãos putrefatas não têm condições de fazer anotações por um longo período de tempo.

Desse modo, devo ser direto com os meus destinatários. Não compactuo com a belicosa postura que foi tomada pelos senhores nessa marcha. É, simplesmente, pernicioso e ominoso o modo como vocês fizeram suas reinvindicações. Não considero correta a conduta de protestar contra os direitos dos homoafetivos e, ainda por cima, julgá-los como seres demoníacos. Entendam, não critico a livre expressão opinativa dos indivíduos, porém, isso não permite que a sociedade civil execre uma parcela da população que, aliás, tem sentimentos e quer respeito, como todos nós.

Vocês se indignam com os homossexuais, todavia, não têm noção do quão difícil é lidar com o preconceito, com o ódio. Eu tenho tal noção, afinal, na minha época, os leprosos eram execrados por todos e – vejam, que curioso – esse ato, errado e preconceituoso, tinha fundamentação religiosa: a de que Deus teria punido os enfermos por pecados que eles teriam cometido aqui, na terra. Por causa disso, muitos de nós fomos isolados e tínhamos de enfrentar as mais duras privações, porque éramos considerados nojentos, asquerosos e malignos.

Mas, eu não quero me queixar da minha vida. Não. Na verdade, quero contar a história de um homem que nem mesmo o mais idílico ser humano poderia imaginar que viria à Terra. Esse homem, meus senhores, simplesmente quebrou barreiras, lutou por justiça, largou os preconceitos e, em um ato de indefinível bondade, cuidou de nós, os, tão amaldiçoados por Deus, enfermos de lepra. Sabem de uma coisa? Para mim, esse indivíduo mostrou mais caráter que todos os outros, afinal, zelar pela própria família ou pelo próprio povo todos fazem. Porém, só ele ajudou quem a sociedade da época julgava e maltratava e, dessa forma, mostrou o quão bom era.

Por fim, eu só queria falar de uma coincidência. Imaginem qual era o nome dessa tão boa alma que citei? Jesus de Nazaré. Quem diria, ele é, justamente, “chará” do Jesus pelo qual os senhores marcham. Cheguei até a pensar que fosse a mesma pessoa, todavia, me lembrei: o Jesus que eu conheci é bom e jamais seria tão excludente e preconceituoso quanto o de vocês, que, aliás, me parece ser bem mau.

Obrigado pela atenção dos senhores.

Um leproso, cuja existência foi, até agora, ignorada pela história.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Curta: O Acesso à Internet como Direito Fundamental

Segundo notícia publicada no Observatório da Imprensa, a ONU decidiu que o acesso à internet é um direito humano fundamental. É gratificante descobrir que a Organização das Nações Unidas tenha assumido uma postura tão inclusiva e necessária para o progresso da liberdade e da democracia. Logicamente, a rede não deve ser panegirizada como a solução de todos os problemas do mundo. Todavia, é simplesmente parvo negar que tal advento nos traz uma grande série de possibilidades de obter informações e expressar a própria opinião, as revoltas no Oriente Médio provam isso. Por fim, fica claro que garantir o direito à internet é muito mais que um simples delírio bizantino.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/acesso-a-rede-e-direito-humano-basico-diz-onu

domingo, 29 de maio de 2011

A Volta do Feudalismo

Em uma breve definição do modo de vida feudal, pode-se dizer que a detenção de poder da época era caracterizada pela posse de terras. Na “idade das trevas” os proprietários de áreas agricultáveis detinham o poder político e econômico e, assim, tinham carta livre para realizar qualquer tipo de injustiça, desde impostos abusivos até assassinatos.

Todavia, o comércio renasceu. As cidades voltaram a existir e, aos poucos, a realidade feudal foi abandonada. Com isso, ingressamos no, também injusto, capitalismo e, desse modo, o poder começou a passar para as mãos dos reis e, depois, para as mãos da burguesia.

Não obstante, as recentes notícias vêm trazendo surpresas e a estranha impressão de retorno ao feudalismo. Isso pode ser aferido pelo como o poder dos latifundiários vem aumentando no nosso país.

A primeira exemplificação disso é o novo código florestal, cuja aprovação na câmara não foi sequer titubeada, apesar dos impenitentes protestos da opinião pública. É incrível como a vontade dos grandes ruralistas pôde atropelar a requisição da maioria.

Outra demonstração da extrema liberdade dos latifundiários foram os recentes assassinatos no Norte, devido a denúncias de desmatamento ilegal, que não levaram e, provavelmente, nunca levarão à descoberta dos assassinos, esses ardilosos bandidos cuja carta de permissão para o crime é um grande número de propriedades rurais.

Talvez, se trouxéssemos um camponês da alta idade média para o Brasil de 2011, ele não notaria uma grande diferença. Na verdade, ele poderia até não perceber que veio para outra época.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Caminho da Justiça

Nova pesquisa do IPEA aponta que os pobres pagam mais impostos que os indivíduos de classes mais abastadas. Segundo o instituto, as pessoas de origem mais humilde gastam 32% da própria renda com tributações, enquanto os mais ricos pagam apenas 21% de seu capital para o governo. Tal levantamento apenas comprova o quão injusto, nefasto e cruel é o sistema do nosso país. É necessário, urgentemente, mudar esse caminho, de exclusão, de desigualdade, que nós estamos trilhando. Para isso acontecer, é inadiável uma profunda reforma tributária que possa, finalmente, garantir justiça e igualdade para todos do Brasil.

Primeiramente, essa reforma não deve ocorrer nos moldes neoliberais que, agora, tucanos e demos reivindicarão. Não devemos baixar os impostos para todos, devemos fazê-lo apenas para a população mais carente. Junto disso, precisamos aumentar as taxas sobre os detentores de grandes riquezas. Duas fortes taxações surgem no horizonte: o imposto sobre grandes fortunas e o imposto sobre grandes heranças. Eles são mais que necessários, são urgentes, inadiáveis, inevitáveis, essenciais para que se construa um país com igualdade, respeito e responsabilidade. Sem essas novas cobranças o Brasil continuará sendo mais um país que enriquece os ricos e destrói os pobres, fadando-os à miséria, à exclusão.

É agora, depois de um dado tão alarmante, que será visto se a Dilma não é uma mentira, uma enganação. Agora, nossa presidenta deve fazer justiça para milhões, livrar o nosso país desse maléfico fantasma que é má distribuição dos impostos. Será visto se toda aquela história de vontade de ajudar as pessoas é verdade. Será visto se a política do PT realmente tem compromisso com os ideais da esquerda, do povo, dos trabalhadores. É imprescindível que se implantem essas novas taxas e se aliviem os tributos para as classes menos favorecidas e, se isso não for realizado em um governo que se julga representante do povo, será, no mínimo, profundamente frustrante.

Portanto, torna-se evidente que os próximos atos governistas explanaram se o Partido dos Trabalhadores realmente largou o povo e a busca por justiça ao provar o doce, e venenoso, sabor do poder.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PM e a Apreensão de Faixas de Protesto

Hoje, (13 de maio), a polícia apreendeu algumas faixas utilizadas em um protesto contra o racismo. Uma delas trazia a frase: ”Crimes de maio: Ontem e hoje a PM continua assassinando negros e pobres". Repudio o ato realizado pelos policiais, que conotou uma extrema falta de autocrítica e um profundo desrespeito à liberdade de expressão. Primeiramente, não acredito que todas as declarações ou opiniões devem circular livremente. Por exemplo: creio que o deputado Bolsonaro deveria ser censurado, afinal, os pronunciamentos dele mostram-se extremamente intolerantes e preconceituosos, ou seja, desrespeitam a liberdade dos outros. Todavia, a faixa, já citada, apresentada pelos manifestantes trata apenas de uma realidade que deve ser mudada. Pontos que comprovam isso são as estatísticas do número da população carcerária, que é composta, majoritariamente, por negros, pobres e outros excluídos sociais, enquanto isso, banqueiros e empresários estelionatários quase nunca são punidos devidamente. Por conseguinte, torna-se lógica a conclusão de que a PM cometeu uma falha.

FONTE: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/05/pm-apreende-faixas-em-manifestacao-contra-racismo-em-sao-paulo.html

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Raimunda e o Casamento Real

Raimunda nasceu em um barraco, em uma favela, em condições deprimentes, desumanas. Ou seja: nasceu como bilhões de pessoas desse mundo nascem: sem o direito de usufruir de água encanada, comida abundante e nem de remédios para as mais simples doenças.

Como toda menina, sonhava em encontrar seu príncipe encantado que, no caso dela, tirá-la-ia da casa fétida e da vida de sofrimentos, de privações. Não obstante, a vida passa, e a garota logo desistiu daquela ilusão maluca, resolveu procurar alguém do seu grupo, que estivesse mais acessível. Assim, aos dezessete, conheceu Róbson e engravidou dele. O garoto decidiu que não devia fugir das responsabilidades. Casaram-se cedo.

Logo Raimunda sentiu o quão duro era criar os filhos, sim, nasceram mais três em quatro anos. Porém, o marido sentiu-o mais, pois não conseguia sustentar a família com seu salário de assistente de pedreiro. Muito frustrado ele se sentia cada vez que um de seus descendentes dizia: “Estou com fome.” E sua mulher respondia: “Dorme, meu amor, que a fome passa.” Róbson não resistiu. Afogou suas mágoas na cachaça. Com o tempo, tornou-se alcoólatra, chegava em casa e batia na mulher para gastar a raiva.

Ela até, uma vez, o denunciou com a lei Maria da Penha. Todavia, ele voltava pedindo perdão e dizendo que ia parar. Raimunda acreditava, afinal, o marido sempre fora boa pessoa, sempre fora responsável. Entretanto, ela continuava a apanhar e, desse jeito, ia levando a vida: sendo agredida aqui, deixando de comer pelos filhos, costurando para as vizinhas até os dedos não agüentarem mais e enfrentando esse monstro duríssimo cujo nome é vida.

Até que, vendo televisão, descobriu que o príncipe da Inglaterra se casaria com uma “plebéia”. Então, rapidamente, teve a ideia de escrever uma carta e enviar à mulher que conseguira conquistar o membro da realeza. Naquele pedaço de papel, colocou, em letras tortas, mas caprichadas, o quanto admirava a "Senhora Princesa da Inglaterra". Alegre, Raimunda mostrou a ideia ao marido, que riu da cara dela: “Você acha que eles recebem essas cartas? E mesmo se recebessem, você acha que eles entendem português?”. Triste, ela chorou por um dia inteiro, afinal, não poderia mostrar à princesa o quanto a invejava e orgulhava-se dela. Não obstante, Raimunda levantou a cabeça e deu continuidade a essa vida de fome e injustiça a qual está fadada.

Todavia, como seria bom se a brasileira soubesse que, na verdade, quem merece admiração é ela mesma. Ela e bilhões de mulheres que se sacrificam pelo bem dos filhos, dos maridos e de todos que as exploram.

Sobre a Morte de Índios no Mato Grosso

Em aldeias indígenas do interior do Mato Grosso, faleceram 35 índios por doenças simples, como diarreia e pneumonia.
Enquanto isso, no mesmo país, existem pessoas que gastam fortunas para fazer implantes de silicone e injeções de Botox.
Usando essa linha de raciocínio, podemos chegar à conclusão de que, para o estado, é mais importante que uma artista, cuja idade encontra-se avançada, mantenha seus seios levantados e atraentes do que a vida de 35 índios.
Pode-se argumentar o que for, mas isso é evidente.
Afinal, se o nosso estado tem a liberdade para arrecadar o dinheiro excedente e usá-lo para salvar os indígenas, mas não faz, ele está optando pela morte deles.
Nosso governo escolheu ver gastos exorbitantes em luxos para pouquíssimas pessoas e, também, escolheu deixar milhões de brasileiros fadados à morte, à miséria, ao sofrimento.
Esse é só um desabafo de um indignado que não consegue aceitar que uns tenham tanto e outros tenham tão pouco, mas tão pouco, que não conseguem sobreviver nem mesmo a uma simples diarreia.




FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/908505-apos-morte-de-35-indios-cidade-de-mt-decreta-emergencia.shtml

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Falta que um Debate Faz...

A população brasileira vem mostrando um grande caráter conservador, cujas opiniões sobre aborto, desarmamento e liberação das drogas leves são imutáveis e indiscutíveis. Tal postura traz consequências nefastas para o desenvolvimento do Brasil em si, afinal, muitos desses conceitos derivam mais do preconceito do que do pensamento racional.

Por exemplo: o deputado Paulo Teixeira propôs a liberação do uso de drogas leves (maconha), entretanto, ao invés de surgir um debate saudável sobre o assunto, ele foi ironizado e censurado pela maior parte das pessoas. Não obstante os excelentes resultados obtidos na Holanda (em que a posse e a venda de drogas é proibida, apenas o consumo é legal), não se pensa em realmente discutir com a população sobre os prós e contras dessa possível mudança na legislação. O que nos traz um atraso em relação a esse assunto.

E, quando é feita essa ausência de debates, acaba-se influenciando e alimentando a segregação cultural entre as classes sociais. Tornando, a cada dia, os mais ricos como os dominantes politicamente e os mais pobres como os "capachos sem base ideológica", cuja capacidade intelectual seria "menor" que a das classes mais "eruditas".

Portanto, mais importante que aprovar leis progressistas é expandir as discussões para o público e, realmente, informá-lo, coisa que a atual mídia-livre não faz. Afinal, apenas as discussões de ordem racional e o ingresso completo da população na política é que poderão, finalmente, garantir a verdadeira emancipação do ser humano.

Por fim, torna-se evidente que, se temos como objetivo a justiça social e política, é extremamente importante que discussões como a liberação da maconha cheguem a todos os setores da população sem ser de forma superficial, regada de preconceitos. Esse é um dos maiores desafios que nossos deputados devem enfrentar para chegar à completa liberdade do homem.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Curta sobre a Renúncia de Fidel

Em Cuba, Fidel Castro renunciou da presidência do Partido Comunista Cubano, o último cargo político que ele mantinha. Assim, termina o ciclo do revolucionário, politicamente. Muitos gostam de lembrar do caráter ditatorial do governo imposto pelos irmãos Castro. Todavia, esquece-se de ressaltar que naquela pequena ilha existem curtos suspiros de uma sociedade mais justa e igualitária. Lá, a educação e a saúde têm excelente qualidade e, ainda por cima, são distribuídas de forma igual para toda a população.

Isso nos leva a uma reflexão:

- Cuba é mesmo tão subdesenvolvida quanto se diz?

Aí, chegamos a uma resposta subjetiva. Se, para você, desenvolvimento é possuir vários shoppings, carros luxuosos, prédios enormes e modernos, mesmo que uma parcela da população esteja destinada a passar fome, contrastando com alguns que nadam em dinheiro. Sim, sob essa ótica, Cuba é muito precária e miserável.
Mas, se você pensa como eu, que desenvolvimento não é o número de indústrias e nem o PIB de um país, que ser desenvolvido é mantêr um sistema mais justo, menos desigual, em que ninguém esteja fadado a morrer de fome enquanto se tem comida sobrando, então, o país de Fidel é bem menos subdesenvolvido que o nosso.

Por fim, lembremos que Cuba está cheia de defeitos políticos que devemos evitar copiar. Entretanto, nela, a saúde é um patrimônio de todos e não só de quem possui capital. Lá, as crianças tem estudo de qualidade, sem importar a origem delas. Naquela tão singela ilha, o sonho de um lugar mais humano, menos cruel e desigual ainda está levemente vivo.

domingo, 17 de abril de 2011

Curta sobre Aécio Neves e o Bafômetro

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/903883-aecio-tem-carteira-apreendida-em-operacao-da-lei-seca-no-rio.shtml

O senador Aécio Neves, na madrugada do dia 17, teve sua carteira de motorista apreendida. Explicou-se que isso ocorreu pois o político não percebeu que ela estava vencida. Até aí, tudo normal, a coisa mais humana do mundo. Entretanto, o mineiro recusou-se a fazer o teste do bafômetro, algo que nos traz uma boa possibilidade de que ele estivesse embriagado, afinal, por que alguém em estado sóbrio se negaria a realizar tal teste? Pensando assim, ficaria claro um caso de irresponsabilidade do tucano e, inclusive, de desrespeito à vida do próximo, pois poderia acontecer um fato semelhante ao que ocorreu com o ex-deputado Fernando Carli Filho, que matou dois jovens enquanto dirigia sob os efeitos do álcool.

Por conseguinte, fica aqui meu pensamento: não há problema nenhum em curtir uma cervejinha (ou vinho do porto, para indivíduos como o FHC), todavia, deve-se zelar pela segurança do próximo, ou seja, deve-se evitar dirigir bêbado. E, se Aécio realmente o fez, alguma maior punição deveria ser tomada. Porém, estamos no Brasil. Um lugar onde os eleitos podem ser racistas, ladrões e, até, assassinos, que não serão presos.

sábado, 16 de abril de 2011

A Declaração de FHC

Para mim, em nada me surpreendeu o artigo do ex-presidente. Ele tem mesmo é que falar a verdade, e a mais pura verdade é essa: O PSDB é um partido elitista de direita. Não há outro caminho, eles são neoliberais, privatizam e gostam de concentração de renda. Segundo tal partido, o dinheiro vem sempre por mérito, mendigo é vagabundo e merece comer lixo. Não há dúvida, um PSDBista acha a coisa mais natural do mundo comer um banquete e, depois, ver uma família morrer de fome. É assim que a direita, que a elite, funciona.

Está no DNA tucano defender essa burguesia, manter essa desigualdade, lutar pela propriedade e contra a reforma agrária. Eles não querem pagar impostos, a educação e a saúde deviam ser privados, porque a mão invisível do mercado opera milagres. Não obstante, o partido do sociólogo tem um problema: Eles não se elegem se mostrarem a sua verdadeira face, logo, fingem que são progressistas, a favor do povo. Na verdade, Fernando Henrique nos fez um favor, jogou a máscara fora.

Afinal, pode-se falar de direito dos trabalhadores, salário mínimo de 600 reais e mais justiça social. Porém, existe um fato que não se muda: Um tucano em essência, quando vê um morador de rua em condições sofríveis, comendo lixo, passando frio, não pensa no certo, no humano, não pensa: "meu deus! como isso pode ocorrer! Enquanto eu me empanturro com leitões, camarão, scargot, têm pessoas que morrem de fome! Não posso aceitar isso, precisamos mudar esse mundo injusto!". Sabe o que ele pensa? "Bando de vagabundos! Vão trabalhar! Ficam aqui atrapalhando a paisagem!".

Em suma, o que FHC fez foi, nada mais, que acabar com o teatrinho que alguns políticos elitistas tentaram criar. Todavia, nós já sabíamos dessa essência cruel e injusta que está impregnada em tantos tucanos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Curta: Ex-Ator Pornô Demitido no IAP-PR

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/901477-parana-demite-servidor-por-participacao-em-filme-erotico.shtml

Valter Pagliosa foi demitido do cargo de chefe regional do IAP. O motivo? Ele participou de um filme erótico muito antes de assumir o emprego. É incrível como a nossa política consegue ser cada vez mais demagoga e contraditória, afinal, ter sido um artista pornográfico não torna uma pessoa má caráter ou incompetente. Após refletir um pouco, torna-se bastante cômico pensar que o governador Beto Richa, tranquilamente, demitiu um funcionário por causa de uma antiga profissão que em nada fere a integridade do mesmo, todavia, mantém a própria mulher (Fernanda Richa) na secretaria da família. Se eu fosse diretor de um filme pornô, não deixaria nenhum nepotista participar de meu filme, porque, isso sim, é que é degradante.

domingo, 10 de abril de 2011

Sensacionalismo e Dia do Jornalista


Comemorou-se, faz pouco tempo, o dia do jornalista. E, quase como um presente divino, veio, justamente, o que a maioria da mídia adora: Um grande acontecimento, recheado de sangue, dor e sofrimento, o caso do tiroteio em Realengo. Logo os jornais começaram a usurpar todas as emoções, os problemas dos indivíduos que se envolveram naquilo. E, vendo a TV, torna-se claro que nossa indústria midiática necessita de um enorme melhoramento para, finalmente, respeitar o telespectador e o povo brasileiro.

Uma perfeita exemplificação disso surgiu no momento em que um câmera filmou o instante no qual uma mulher, aos prantos, contava ao marido que a filha deles havia morrido. Poderia haver alguma maior invasão de privacidade, algum maior aproveitamento do sofrimento humano do que tal gravação? Não, não existe nada mais sujo, mais injusto do que isso*. É inaceitável que um momento íntimo como esse tenha sido violado por equipes de televisão cujo objetivo era o mais maligno possível.

Outro ato inaceitável foi a entrevista das crianças que quase foram mortas, todavia, isso, mesmo não deixando de ser absurdo, é tão recorrente nos noticiários que até parece normal. E essa normalidade é justamente o problema: A pessoa acaba de presenciar um homicídio em massa e, então, é questionada pelo repórter como se não houvesse nada de diferente.

Por conseguinte, chega-se à conclusão: Grande parte dos jornalistas está se importando mais em vender a notícia, em gerar o sensacionalismo, do que respeitar a integridade humana. E essa postura traz enormes malefícios para a sociedade e para o próprio jornalismo como um todo.

* É necessário ressaltar que nosso mundo é entranhado de coisas sujas e injustas e, tal filmagem, está entre os atos máximos de injustiça como: Desigualdade social, desperdício exacerbado de comida, pessoas vivendo em condições sub-humanas e etc...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curta - Bolsonaro e os Neonazistas

Notícia base: http://noticias.uol.com.br/politica/2011/04/06/neonazistas-ajudam-a-convocar-ato-civico-pro-bolsonaro-em-sao-paulo.jhtm

Foi convocado um "ato cívico" em defesa do Deputado Jair Bolsonaro, já foi confirmada a presença de pessoas das "melhores" espécies: Militares que apoiam a ditadura, neonazistas, homofóbicos, racistas e pessoas cuja consciência anda de férias permanentes. Tais manifestações, que confrontam os direitos humanos, vêm aumentando de forma assustadora, e os resultados disso não poderiam ser piores. Manchetes como: "Mendigos são espancados na rua" "Homofóbicos matam três gays" "Empregada negra é agredida no ônibus" não param de aumentar. Todavia, os indivíduos que repudiam esses atos ainda são maioria. Logo, faz-se necessário que todos se mobilizem para exigir um mínimo de respeito à vida pelos nossos deputados e pela nossa sociedade.

domingo, 3 de abril de 2011

Curta - Ataque dos Aliados

O curta significa um breve comentário sobre uma notícia ou um fato em especial.

Bombardeio Aliado

É estranho como o ser humano tem a incrível capacidade de contradizer-se completamente, um exemplo claro disso foi o bombardeio das forças aliadas que, a fim de proteger a população do ditador Kadafi, acabou matando quarenta inocentes. Será que é mesmo necessário que, para salvar e defender um povo, precisemos metralhar civis, causar dor, terror, injustiça? O pior é que nem podemos afirmar que a deposição do ditador trará benefícios para a Líbia, visto que os EUA parecem mais dispostos em arranjar bons parceiros comerciais do que governantes que honrem seus respectivos cidadãos. Por conseguinte, só posso tomar uma posição nesse caso: Os bombardeios devem cessar e precisamos arranjar um novo método de parar a tirania do líder líbio.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ode ao Homofóbico

Um bebê nasce, o pai dele, de farda, o segura no colo, muito desajeitadamente, e diz: “Hmmm, esse vai ser macho que nem eu!”. Logo, o recém-nascido torna-se criança e, como esperado, é cobrado pela figura paterna “Não chore, seja homem!” “Vá jogar futebol! Onde já se viu! Um garoto que não joga bola!”. Assim, o menino fazia uma força sobre-humana para agradar seu pai, tentava ser o mais másculo, o mais homem possível, mesmo que sua natureza o levasse a preferir conversar com as meninas ou brincar de boneca. Uma vez, o filho questionou o pai se ele poderia ir brincar na casa de algumas amigas, resultado: Surra de cinta e uma semana de castigo. Com tais influências, o pequeno indivíduo decidiu o rumo de sua própria vida, ele seria o mais macho possível, como o seu progenitor.

Na juventude, logo tratou de tentar conquistar todas as menininhas que ele via, não por gostar delas, mas, sim, por adorar ouvir o pai falando: “Ah, garoto! Puxou o papai!”. Na hora de decidir a profissão, o jovem não titubeou, seria militar. Profissão de respeito, de homem, profissão de seu herói, seu criador. Cresceu no emprego, assustadoramente, afinal, cada medalha era um parabéns da pessoa mais importante do mundo, cada medalha era uma prova de sua hombridade. Logo, surgiu a oportunidade de realizar um golpe, tomar o poder. Ele caiu de cabeça nesse projeto e, quando os militares assumiram o governo, defendeu-os com unhas e dentes, torturando, matando, mentindo, e sem sentir remorso! Gozava os prazeres de causar a dor no próximo, afinal, apenas alguém muito macho subjuga os outros de tal forma.

O tempo passou e os homens de farda saíram do poder, todavia, ele se manteve. Com a tal democracia, que, aliás, ele repudia, se elegeu deputado devido à ajuda das pessoas de bem, que defendiam o país: Os ditadores de antigamente. Na câmara, apresentou as suas opiniões, “bolsa família é esmola!” “A tortura foi necessária!” “Cotas são injustas!”. Não obstante, um ideal se destacou: “Por que existem os gays? Ninguém educa mais seus filhos?”. O deputado odiava ferrenhamente os homossexuais, tinha vontade de mata-los, a presença deles atrapalhava a masculinidade que ele trouxe do exército. Muitos se revoltaram com a opinião dele, porém, nada aconteceu (sorte dele de ter nascido brasileiro).

Aos setenta e oito, se aposentou. Mas manteve-se homem, praticava tiro e não deixava nada barato. Ainda fazia declarações polêmicas na mídia, entretanto, consideravam-no apenas um velho gagá. Até que, um dia, teve um AVC. No hospital, internado, à beira da morte, chamou seus filhos. Tinha algo para revelar. “Meus filhos, desde cedo fui forçado a ser macho e, como macho, vou morrer. Mas, ouçam um segredo: Sempre sonhei em ser uma Drag Queen!”.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nosso País

José dos Santos Silva é mais um brasileiro comum, tem uma mulher e seis filhos, o trabalho dele é de carrinheiro. Suando, puxando uma carreta cheia de lixo, em um sol escaldante, enfrentando preconceito- sim, preconceito, pois, apesar de estar fazendo seu trabalho dignamente, as pessoas desconfiam dele, afinal, está desarrumado e sem terno e gravata. Como confiar em alguém assim?- ele ganha, arredondando, seiscentos reais por mês. Dinheiro que é complementado por cem reais do Bolsa Família- Um programa que a casa toda agradece, pois esse dinheirinho extra lhes garante um pouco mais de comida na mesa, mesmo que ela continue pouca- Juntando tudo, José ganha 700 reais mensalmente, setecentos reais suados, sofridos, que exigiram muito esforço do nosso amigo que, mesmo assim, ainda vê a filha mais nova reclamar:
-Papai, tô com fome.
Os olhos do pai enchem-se d'àgua. Por mais que se esforce, José não sente que consegue dar uma vida digna para todos da sua prole e chora na cama todos os dias, rezando e pedindo a Deus para que a vida de todos melhorasse.

Enquanto isso: "Hercília Catharina da Luz, de 89 anos, filha de Hercílio Luz, que governou Santa Catarina de 1889 a 1930, por 3 mandatos, recebe todos os meses R$ 15 mil reais de pensão do governo do estado." RETIRADO DE: http://www.cartacapital.com.br/politica/alvaro-dias-faz-caridade-como-nosso-dinheiro

Depois, querem nos convencer de que vivemos em um país livre e justo...





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Humanismo nos EUA

Um garoto de 22 anos, cujo nome era Jared Loughner, invade um evento político na cidade de Tucson e, com uma pistola, atira e mata 6 pessoas, além de ferir mais 14, entre esse último grupo se encontra o principal alvo do rapaz: A deputada democrata Gabrielle Giffords. Casos como esses, infelizmente, vem deixando de ser algo novo, mas há um fato inédito nesse: A motivação de ordem política. E quem vê os motivos desse menino para cometer tão repugnante ato fica embasbacado: O apoio da política ferida à reforma da saúde americana e a uma menor repressão aos imigrantes. Provas de como os Estados Unidos não estão preparados para um sistema mais humanitário e justo.

A prova irrefutável de como esse país não aceita atos de valorização ao ser humano é justamente o crescimento de grupos conservadores que são contra as duas mudanças propostas, que levaram à chacina em Tucson. O que é absurdo, visto que, principalmente no caso da imigração, encontram-se várias contradições. Entre elas está a proibição de cidadania a filhos de imigrantes ilegais, algo que, não bastando ser inconstitucional, é simplesmente um absurdo. Visto que, se apenas filhos de americanos devem ser cidadãos, só uma pequena parcela da população estaduniense conseguiria a cidadania, pois os índios (os verdadeiros nativos) dali foram quase dizimados.

Já partindo para a questão da reforma na saúde, proposta nobremente pelo presidente Obama; Torna-se inevitável pensar que essa revolta dos grupos conservadores em relação à tal ideia é completamente nojenta e digna de repugnância, afinal, é impossível que uma pessoa com um mínimo de senso humano seja ferrenhamente contra essa possível nova organização hospitalar. Por exemplo: Como pode ser passível que alguém refute tal proposição sabendo que milhões de pessoas sofrem de doenças sem poder pagar um hospital? A resposta surge de forma óbvia: Isso não é passível, uma reforma na saúde é, sim, necessária e negá-la é negar a vida a milhões de seres humanos.

Jared, quando realizou a chacina, não estava mostrando que existe um indivíduo louco e fanático na cidade de Tucson, mas, sim, que existem em todos os Estados Unidos, milhões e milhões de indivíduos loucos, fanáticos e sem nenhum respeito pela integridade humana. Eles atendem pelo nome de conservadores e, por causa deles, não é possível que vejamos, no mais importante país do mundo, uma coisa essencial: Humanidade.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Saldo do Governo Lula

Saldo do Governo Lula

Passaram-se oito anos e, agora, o Brasil tem um novo presidente, surpreendentemente, esse novo presidente é uma mulher, a primeira presidenta do nosso país e mais surpreendentemente ainda: O sentimento que predomina nos corações dos brasileiros não é de curiosidade, vontade de saber o que acontecerá. É tristeza. Tristeza porque Lula saiu do poder, mas toda essa popularidade vem da real competência do nosso ex-presidente ou de um neo-populismo que a mídia adora comentar? Definitivamente, trata-se da primeira opção.

Para analisar o governo do ex-torneiro mecânico, é necessário chegar a uma resposta importantíssima: O que foi feito, qual foi o fato mais marcante desses oito anos? Uma pessoa de direita prontamente responderia: O caso do mensalão. Mas, se essa pergunta for feita para um oitenta por cento da população que não está trancada em casa usufruindo dos luxos da vida elitista, chegaremos a outra resposta, que pode vir de várias formas, porém, na essência, quer dizer: A nossa vida se tornou mais digna, vieram mais oportunidades. E essa foi a tônica do governo: Fazer com que as pessoas saíssem da miséria, com redistribuição de renda.

Lê-se por aí artigos sobre como as estradas brasileiras tem buracos ou como a infraestrutura dos aeroportos precisam de reparos, mas o que é isso perto das milhões de pessoas que saíram da miséria ou subiram à classe média? O que é isso perto do enorme número de escolas técnicas que foram criadas? O que é isso perto da justiça que foi feita ao diminuir as desigualdades sociais? Nada. Na verdade, o ponto fraco do governo foi não ter investido tão fortemente na educação, apesar de conquistas importantes como o ENEM e o PROUNI. Porém, essa pequena falha não esconde os grandes méritos conquistados na área social.

Ou seja, talvez alguns economistas não gostem do modo que foi conduzida a inflação, talvez alguns indivíduos não gostem do como foram geridos os portos, talvez alguns tenham achado que as reformas sociais não foram suficientes (o que eu entendo e concordo). Apesar de tudo isso, uma coisa não pode ser negada: Lula transformou esse país em um lugar mais justo e menos desigual. Por isso, merece palmas e um lugar no coração de milhões de brasileiros.