Surge, nos Estados Unidos, um movimento diferente dos outros e que detém uma enorme abrangência de participação: trata-se do Ocuppy Wall Street (Ocupar Wall Street, como vem sendo chamado no Brasil). Um dos lemas dessas manifestações pede benefícios aos 99% e o fim dos excessivos privilégios ao 1%. A esmagadora maioria é o povo, a ínfima minoria são os banqueiros, os ricos financeiros de Wall Street.
O país americano sempre foi um exemplo da inversão de valores que os governos podem tomar. A nação do tio Sam gasta bilhões para salvar bancos da falência e não tem, sequer, um sistema de saúde pública. Os abastados lá – como aqui no Brasil – pagam menos impostos proporcionalmente. Resultado: a maioria, as pessoas simples têm que labutar arduamente para garantir o terno importado do financeiro rico.
Parecia que o povo estadunidense estava alienado pelo falacioso argumento de que “quem tem dinheiro fez por merecer”. Apenas parecia. Os manifestantes perceberam o quão mentirosa e perniciosa é essa ideia e já chegaram à mais óbvia e benfazeja conclusão que há na política: o bem deve ser propiciado à maioria e a quem mais sofre com as acerbas condições impostas pelo capitalismo selvagem.
Por isso, há a reivindicação de taxação aos mais abonados, de maior apoio social aos cidadãos comuns e de um sistema político-econômico mais justo, sustentável e pautado no princípio da equidade.
Analisando a construção desses protestos – pacíficos, que fique bem evidente – imagina-se que duas frases, que se tornaram famosas, estavam certas desde que foram criadas.
“A revolução não será televisionada” e sua paródia “A revolução será tuitada” são os trechos que vem sendo confirmados. A mídia americana simplesmente ignora o Ocupar Wall Street – mesmo que o número de manifestantes já seja bastante considerável – e as ferramentas da internet aparecem como grandes aliadas do movimento – exemplo disso é a transmissão online do protesto http://www.livestream.com/globalrevolution.
Não se sabe até onde isso irá. Alguns sonham, até, com reformas mais estruturais em todo o planeta e há quem julgue o fim dessa aglomeração como questão de tempo. O resultado e outros aspectos mais profundos dessas manifestações só serão percebidos no futuro. Constata-se, contudo, que o sentimento de cidadania – pelo menos nesses 19 dias de protestos – surgiu e a vontade de emancipação das punições do “Deus mercado” também.
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