quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nosso País

José dos Santos Silva é mais um brasileiro comum, tem uma mulher e seis filhos, o trabalho dele é de carrinheiro. Suando, puxando uma carreta cheia de lixo, em um sol escaldante, enfrentando preconceito- sim, preconceito, pois, apesar de estar fazendo seu trabalho dignamente, as pessoas desconfiam dele, afinal, está desarrumado e sem terno e gravata. Como confiar em alguém assim?- ele ganha, arredondando, seiscentos reais por mês. Dinheiro que é complementado por cem reais do Bolsa Família- Um programa que a casa toda agradece, pois esse dinheirinho extra lhes garante um pouco mais de comida na mesa, mesmo que ela continue pouca- Juntando tudo, José ganha 700 reais mensalmente, setecentos reais suados, sofridos, que exigiram muito esforço do nosso amigo que, mesmo assim, ainda vê a filha mais nova reclamar:
-Papai, tô com fome.
Os olhos do pai enchem-se d'àgua. Por mais que se esforce, José não sente que consegue dar uma vida digna para todos da sua prole e chora na cama todos os dias, rezando e pedindo a Deus para que a vida de todos melhorasse.

Enquanto isso: "Hercília Catharina da Luz, de 89 anos, filha de Hercílio Luz, que governou Santa Catarina de 1889 a 1930, por 3 mandatos, recebe todos os meses R$ 15 mil reais de pensão do governo do estado." RETIRADO DE: http://www.cartacapital.com.br/politica/alvaro-dias-faz-caridade-como-nosso-dinheiro

Depois, querem nos convencer de que vivemos em um país livre e justo...





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Humanismo nos EUA

Um garoto de 22 anos, cujo nome era Jared Loughner, invade um evento político na cidade de Tucson e, com uma pistola, atira e mata 6 pessoas, além de ferir mais 14, entre esse último grupo se encontra o principal alvo do rapaz: A deputada democrata Gabrielle Giffords. Casos como esses, infelizmente, vem deixando de ser algo novo, mas há um fato inédito nesse: A motivação de ordem política. E quem vê os motivos desse menino para cometer tão repugnante ato fica embasbacado: O apoio da política ferida à reforma da saúde americana e a uma menor repressão aos imigrantes. Provas de como os Estados Unidos não estão preparados para um sistema mais humanitário e justo.

A prova irrefutável de como esse país não aceita atos de valorização ao ser humano é justamente o crescimento de grupos conservadores que são contra as duas mudanças propostas, que levaram à chacina em Tucson. O que é absurdo, visto que, principalmente no caso da imigração, encontram-se várias contradições. Entre elas está a proibição de cidadania a filhos de imigrantes ilegais, algo que, não bastando ser inconstitucional, é simplesmente um absurdo. Visto que, se apenas filhos de americanos devem ser cidadãos, só uma pequena parcela da população estaduniense conseguiria a cidadania, pois os índios (os verdadeiros nativos) dali foram quase dizimados.

Já partindo para a questão da reforma na saúde, proposta nobremente pelo presidente Obama; Torna-se inevitável pensar que essa revolta dos grupos conservadores em relação à tal ideia é completamente nojenta e digna de repugnância, afinal, é impossível que uma pessoa com um mínimo de senso humano seja ferrenhamente contra essa possível nova organização hospitalar. Por exemplo: Como pode ser passível que alguém refute tal proposição sabendo que milhões de pessoas sofrem de doenças sem poder pagar um hospital? A resposta surge de forma óbvia: Isso não é passível, uma reforma na saúde é, sim, necessária e negá-la é negar a vida a milhões de seres humanos.

Jared, quando realizou a chacina, não estava mostrando que existe um indivíduo louco e fanático na cidade de Tucson, mas, sim, que existem em todos os Estados Unidos, milhões e milhões de indivíduos loucos, fanáticos e sem nenhum respeito pela integridade humana. Eles atendem pelo nome de conservadores e, por causa deles, não é possível que vejamos, no mais importante país do mundo, uma coisa essencial: Humanidade.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Saldo do Governo Lula

Saldo do Governo Lula

Passaram-se oito anos e, agora, o Brasil tem um novo presidente, surpreendentemente, esse novo presidente é uma mulher, a primeira presidenta do nosso país e mais surpreendentemente ainda: O sentimento que predomina nos corações dos brasileiros não é de curiosidade, vontade de saber o que acontecerá. É tristeza. Tristeza porque Lula saiu do poder, mas toda essa popularidade vem da real competência do nosso ex-presidente ou de um neo-populismo que a mídia adora comentar? Definitivamente, trata-se da primeira opção.

Para analisar o governo do ex-torneiro mecânico, é necessário chegar a uma resposta importantíssima: O que foi feito, qual foi o fato mais marcante desses oito anos? Uma pessoa de direita prontamente responderia: O caso do mensalão. Mas, se essa pergunta for feita para um oitenta por cento da população que não está trancada em casa usufruindo dos luxos da vida elitista, chegaremos a outra resposta, que pode vir de várias formas, porém, na essência, quer dizer: A nossa vida se tornou mais digna, vieram mais oportunidades. E essa foi a tônica do governo: Fazer com que as pessoas saíssem da miséria, com redistribuição de renda.

Lê-se por aí artigos sobre como as estradas brasileiras tem buracos ou como a infraestrutura dos aeroportos precisam de reparos, mas o que é isso perto das milhões de pessoas que saíram da miséria ou subiram à classe média? O que é isso perto do enorme número de escolas técnicas que foram criadas? O que é isso perto da justiça que foi feita ao diminuir as desigualdades sociais? Nada. Na verdade, o ponto fraco do governo foi não ter investido tão fortemente na educação, apesar de conquistas importantes como o ENEM e o PROUNI. Porém, essa pequena falha não esconde os grandes méritos conquistados na área social.

Ou seja, talvez alguns economistas não gostem do modo que foi conduzida a inflação, talvez alguns indivíduos não gostem do como foram geridos os portos, talvez alguns tenham achado que as reformas sociais não foram suficientes (o que eu entendo e concordo). Apesar de tudo isso, uma coisa não pode ser negada: Lula transformou esse país em um lugar mais justo e menos desigual. Por isso, merece palmas e um lugar no coração de milhões de brasileiros.