segunda-feira, 27 de junho de 2011

Carta de um leproso à marcha para Jesus

Jerusálem, 27 de junho de 43 d.C.

Prezados senhores participantes da marcha para Jesus.

Primeiro, gostaria de já me desculpar pela brevidade dessa carta. Eu tencionaria escrever várias páginas com mensagens e argumentações aos senhores, todavia, minhas mãos estão frágeis e não suportariam tanto trabalho. Vejam bem, não se trata de preguiça, não consigo escrever abundantemente, apenas, porque sofro de uma doença: lepra, e, como se pode averiguar na data, ainda não foram criados os remédios para essa doença que, quando medicada, permite que os doentes tenham uma vida relativamente normal. Portanto, minhas mãos putrefatas não têm condições de fazer anotações por um longo período de tempo.

Desse modo, devo ser direto com os meus destinatários. Não compactuo com a belicosa postura que foi tomada pelos senhores nessa marcha. É, simplesmente, pernicioso e ominoso o modo como vocês fizeram suas reinvindicações. Não considero correta a conduta de protestar contra os direitos dos homoafetivos e, ainda por cima, julgá-los como seres demoníacos. Entendam, não critico a livre expressão opinativa dos indivíduos, porém, isso não permite que a sociedade civil execre uma parcela da população que, aliás, tem sentimentos e quer respeito, como todos nós.

Vocês se indignam com os homossexuais, todavia, não têm noção do quão difícil é lidar com o preconceito, com o ódio. Eu tenho tal noção, afinal, na minha época, os leprosos eram execrados por todos e – vejam, que curioso – esse ato, errado e preconceituoso, tinha fundamentação religiosa: a de que Deus teria punido os enfermos por pecados que eles teriam cometido aqui, na terra. Por causa disso, muitos de nós fomos isolados e tínhamos de enfrentar as mais duras privações, porque éramos considerados nojentos, asquerosos e malignos.

Mas, eu não quero me queixar da minha vida. Não. Na verdade, quero contar a história de um homem que nem mesmo o mais idílico ser humano poderia imaginar que viria à Terra. Esse homem, meus senhores, simplesmente quebrou barreiras, lutou por justiça, largou os preconceitos e, em um ato de indefinível bondade, cuidou de nós, os, tão amaldiçoados por Deus, enfermos de lepra. Sabem de uma coisa? Para mim, esse indivíduo mostrou mais caráter que todos os outros, afinal, zelar pela própria família ou pelo próprio povo todos fazem. Porém, só ele ajudou quem a sociedade da época julgava e maltratava e, dessa forma, mostrou o quão bom era.

Por fim, eu só queria falar de uma coincidência. Imaginem qual era o nome dessa tão boa alma que citei? Jesus de Nazaré. Quem diria, ele é, justamente, “chará” do Jesus pelo qual os senhores marcham. Cheguei até a pensar que fosse a mesma pessoa, todavia, me lembrei: o Jesus que eu conheci é bom e jamais seria tão excludente e preconceituoso quanto o de vocês, que, aliás, me parece ser bem mau.

Obrigado pela atenção dos senhores.

Um leproso, cuja existência foi, até agora, ignorada pela história.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Curta: O Acesso à Internet como Direito Fundamental

Segundo notícia publicada no Observatório da Imprensa, a ONU decidiu que o acesso à internet é um direito humano fundamental. É gratificante descobrir que a Organização das Nações Unidas tenha assumido uma postura tão inclusiva e necessária para o progresso da liberdade e da democracia. Logicamente, a rede não deve ser panegirizada como a solução de todos os problemas do mundo. Todavia, é simplesmente parvo negar que tal advento nos traz uma grande série de possibilidades de obter informações e expressar a própria opinião, as revoltas no Oriente Médio provam isso. Por fim, fica claro que garantir o direito à internet é muito mais que um simples delírio bizantino.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/acesso-a-rede-e-direito-humano-basico-diz-onu