domingo, 21 de agosto de 2011

O Estado Laico e uma Insurreição Ética

Um pastor, enfurecido, brada aos quatro cantos do mundo: “Sabem por que o Estado não pode ser laico? Porque sem uma religião bem definida pereceremos! Só Jesus faz as pessoas fazerem o certo! Sem a religião ninguém temerá o inferno e todos serão maus!”. Esse inepto pensamento é recorrente na cabeça de vários fundamentalistas religiosos. Ele, todavia, está completamente equivocado. A laicidade do Estado, na verdade, traz uma insurreição ética ao país.

Já dizia Aristóteles em sua obra “Ética a Nicômaco” que o bem deve ser feito, ansiado, por ele mesmo, sempre sem visar alguma recompensa. O pensamento imposto pela maioria das religiões, então, não suscita ações éticas, afinal todas as boas ações que são pregadas por esse ideal visam um grande prêmio: a estada ao lado do Nosso Senhor Todo Poderoso, no paraíso. Pode-se, assim, concluir que o bem e o certo não são feitos visando justiça ou o bem-geral, o altruísmo religioso não passa, muitas vezes, de uma troca para chegar ao céu, algo muito parecido com o político que só faz as coisas visando uma reeleição.

Quando alguém, todavia, faz atos benfazejos sem buscar um cantinho na terra-dos-bons, esta pessoa está, certamente, agindo do modo mais nobre e próximo do certo. Um exemplo disso – que ironia! – são os atos de Jesus Cristo, cujo destino já estava traçado (a morte na cruz) e, movido apenas pela vontade de trazer o bem, realizou uma série de ações destinadas, apenas, à melhora da vida de todos.

Pode-se, então, chegar à ilação de que, quanto mais afastado de dogmas, mais próximo do sumo-bem alguém estará, mais próximo do bem de Jesus, de Mandela, de Gandhi alguém estará. É dever do Estado dar a liberdade religiosa a todos e, assim, todos poderão escolher se querem seguir um bem dogmático, ou um bem superior, por ele mesmo.

domingo, 7 de agosto de 2011

Muito Além da Alienação Global

Existe uma alienação grosseira e evidente, cujo discernimento é de relativa obviedade. Ela pode ser exemplificada como a manipulação política que é aplicada por grandes meio midiáticos, como a Globo, a Folha e outros. Eles se utilizam de interpretações erradas a seu próprio favor, omissão de dados importantes, conclusões com ausências de provas e outros meios para ludibriar o cliente e, dessa forma, obter o controle sobre a opinião dos indivíduos. Esse método não é tão difícil de ser percebido e, inclusive com o apoio da web, a cada dia se torna menos eficiente.

Realmente, a sociedade vem dando menos crédito a instituições ardilosas e manipuladoras. Isso pode ser observado, por exemplo, no protesto “Cai Fora Ricardo Teixeira” e nas reações de muitos blogueiros a uma lista de princípios éticos da Rede Globo que foi anunciada recentemente pela emissora.

Surge, todavia, uma falsa concepção de que se estaria, finalmente, livrando-se da alienação e Marx estaria sorrindo e gritando: “Finalmente! O povo brasileiro está livre!”. Ledo engano. Não se pode, de maneira nenhuma, duvidar que essa libertação do domínio midiático seja benfazeja, porém não se deve criar ilusões e julgar que a alienação e a manipulação saltaram fora de nosso horizonte.

Daqui a vinte anos, talvez, ninguém mais cairá na enganação empregada pela grande mídia. Todavia, continuará a alienação. O interessante é que, geralmente, quando alguém escreve sobre os alienados, o autor julga estar fora desse grupo. Eu, porém, julgo-me dentro desse controle que transcreverei aqui: a alienação suprema.

É imprescindível a percepção de que ninguém está fora desse efeito manipulador que citei. Trata-se de algo superior, que nossa imaginação mal consegue inventar. Todos estamos mergulhados nesse problema, nessa ignorância.

Pode vir, agora, um questionamento: “Ora, se isso existe, como se sabe que ele está presente? Prove-me”. O que comprova a existência dessa tal alienação é a condição na qual nosso mundo se encontra: fome e desigualdade no meio de uma época em que criamos as mais geniais tecnologias! Se fossemos um povo dotado da mínima inteligência ou autonomia não aceitaríamos isso. Tamanha injustiça não deveria ser tolerada, esse mal, em tese, deveria ser apunhalado e ceifado pela consciência humana. Todavia, algo prende a mão que segura o punhal. É essa alienação suprema que aprisiona a ação dos nossos sentimentos de justiça.

Se não estivéssemos envolvidos por essa ideia oculta, viveríamos em um mundo correto, como irmãos e com bens vitais distribuídos de forma equânime; não reinaria a lei do mercado, mas sim a da equidade; não nos mataríamos de forma covarde e nem roubaríamos o pão de quem tem fome; não seríamos coniventes com tamanha injustiça que está incrustada no centro do sistema. Se fossemos livres, livres de verdade, o mundo seria humano, e não essa monstruosidade.

Urge, por conseguinte, os maiores esforços imagináveis para quebrar essa alienação gigante e invisível que nos impede de viver em um lugar melhor. Talvez ela esteja nos lugares em que menos procuramos, talvez no dinheiro, talvez ela seja somente algo de nossa imaginação e, dessa forma, nos prende apenas de forma psicológica. O fato inegável é que não devemos ficar apáticos, nossa vida deve sempre visar a destruição desse mal desconhecido para que, enfim, um mundo igualitário e que respeite a natureza seja possível.