Um pastor, enfurecido, brada aos quatro cantos do mundo: “Sabem por que o Estado não pode ser laico? Porque sem uma religião bem definida pereceremos! Só Jesus faz as pessoas fazerem o certo! Sem a religião ninguém temerá o inferno e todos serão maus!”. Esse inepto pensamento é recorrente na cabeça de vários fundamentalistas religiosos. Ele, todavia, está completamente equivocado. A laicidade do Estado, na verdade, traz uma insurreição ética ao país.
Já dizia Aristóteles em sua obra “Ética a Nicômaco” que o bem deve ser feito, ansiado, por ele mesmo, sempre sem visar alguma recompensa. O pensamento imposto pela maioria das religiões, então, não suscita ações éticas, afinal todas as boas ações que são pregadas por esse ideal visam um grande prêmio: a estada ao lado do Nosso Senhor Todo Poderoso, no paraíso. Pode-se, assim, concluir que o bem e o certo não são feitos visando justiça ou o bem-geral, o altruísmo religioso não passa, muitas vezes, de uma troca para chegar ao céu, algo muito parecido com o político que só faz as coisas visando uma reeleição.
Quando alguém, todavia, faz atos benfazejos sem buscar um cantinho na terra-dos-bons, esta pessoa está, certamente, agindo do modo mais nobre e próximo do certo. Um exemplo disso – que ironia! – são os atos de Jesus Cristo, cujo destino já estava traçado (a morte na cruz) e, movido apenas pela vontade de trazer o bem, realizou uma série de ações destinadas, apenas, à melhora da vida de todos.
Pode-se, então, chegar à ilação de que, quanto mais afastado de dogmas, mais próximo do sumo-bem alguém estará, mais próximo do bem de Jesus, de Mandela, de Gandhi alguém estará. É dever do Estado dar a liberdade religiosa a todos e, assim, todos poderão escolher se querem seguir um bem dogmático, ou um bem superior, por ele mesmo.
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