Em vários protestos da atualidade, percebe-se que, a cada dia que se passa, mais a população não aceita a forma oligárquica com a qual os governos distribuem as riquezas de seus respectivos países. Considerável parte dos indivíduos não aceita mais essa guerra desenfreada para ganhar dinheiro, essa voraz competição entre todos. Competição que, aliás, é absurdamente injusta, sempre visando o sucesso de uma poderosa minoria. Movimentos nas Grécia, na Espanha, em Portugal e, até, nos EUA são destaques. Esses protestos benfazejos vêm animando muitos ativistas que pensam: “finalmente, o capitalismo ruirá”. Vários aspectos, no entanto, mostram que o fim completo desse sistema injusto não está próximo. Essas manifestações, contudo, não devem ser menos festejadas, elas podem trazer excelentes benefícios a toda a população mundial.
O modo capitalista de produção ainda está muito fixado no ideário popular. A busca por tablets e tecnologias da moda ainda supera a vontade de uma vida em harmonia, de respeito e cooperação entre todos os seres humanos. É bem verdade que movimentos como o Ocuppy Wall Street já demonstram que tencionam esse equilíbrio espiritual, mas estes são minoria. Já dizia José Saramago: “não é possível construir o socialismo sem uma mentalidade socialista.”. Nossa sociedade, até agora, ainda demonstra a avareza capitalista: o individualismo flui absurdamente, a preocupação com a própria condição impera e o descaso com o próximo é evidente. Deduz-se, então, que um sistema de mútua cooperação entre os cidadãos não chegará agora.
Esses movimentos, mesmo assim, podem representar um marco: o fim do neoliberalismo, desse ramo do capitalismo que defende a “não intervenção do estado” e, de forma contraditória, financia os mais ricos banqueiros. O povo, agora, não aceita mais essas mentiras e exige que o governo trabalhe para melhorar a vida da maioria e não de poucos aristocratas do sistema financeiro. Se as reivindicações de agora forem atendidas, os novos Estados beneficiarão mais os cidadãos. Gerar-se-á um novo sistema muito semelhante ao Wellfare State – Estado de Bem Estar social -, que estará plenamente disposto a suscitar melhores condições para a população. Essa mudança já seria uma grandiosa vitória para o mundo e para a democracia verdadeira.
Evidencia-se, por conseguinte, esta ilação: as manifestações que despontam contra o neoliberalismo não trarão um governo essencialmente igualitário. Elas, todavia, podem nos apresentar um sistema muito superior do ponto de vista social, e – a partir dessa mudança – um governo plenamente benfazejo estará mais próximo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário