Aos líderes da mídia: sobre o 11 de setembro
Constatei, mais uma vez, que os senhores responsáveis pela mídia brasileira passaram mais um onze de setembro prestando homenagens aos mortos no ataque terrorista ao pentágono. Entendam, não sou alguém sem coração que “já perdeu a paciência por causa de tantas matérias repetidas”. Na verdade, até me julgo um indivíduo com ideais humanitários e creio que o respeito às vítimas de violência é necessário. Noto, todavia, que a mídia vem valorizando a vida de alguns seres humanos em detrimento da de outros.
Os mortos do onze de setembro são incessantemente lembrados, mas há outros óbitos que vem sendo amplamente olvidados. Por exemplo: existem milhares de civis iraquianos que tiveram suas vidas ceifadas por causa de uma guerra infundada, que tinha em seu mais íntimo centro apenas um objetivo, o de conquistar petróleo. Entendam, senhores, que temos outras inúmeros casos como esse, vejam as crianças que morrem de fome na Somália, os chineses que são julgados e condenados à pena de morte por crimes políticos e os brasileiros que - sem julgamento - são condenados à mesma pena e morrem na mão da polícia.
A impressão que fica ao ver tamanha discrepância de tratamento a vítimas de atentados ou mortes violentas é a de que alguns indivíduos valem mais que os outros. Parece que o óbito de um estadunidense é mais importante – e, portanto, deve ser noticiado inúmeras vezes – que o óbito de um iraquiano ou de um brasileiro morador de uma comunidade. Isso, segundo o princípio da isonomia, é uma falácia e não deve, em nenhum momento, ser incentivado.
Fica, então, apenas um apelo meu aos senhores: tirem um dia do ano para lembrar de todos esses mortos que, aparentemente, vocês esqueceram. Afinal, creio que privilegiar alguém só porque este nasceu em um país desenvolvido é algo injusto e que suscita malefícios à sociedade.
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