domingo, 10 de abril de 2011

Sensacionalismo e Dia do Jornalista


Comemorou-se, faz pouco tempo, o dia do jornalista. E, quase como um presente divino, veio, justamente, o que a maioria da mídia adora: Um grande acontecimento, recheado de sangue, dor e sofrimento, o caso do tiroteio em Realengo. Logo os jornais começaram a usurpar todas as emoções, os problemas dos indivíduos que se envolveram naquilo. E, vendo a TV, torna-se claro que nossa indústria midiática necessita de um enorme melhoramento para, finalmente, respeitar o telespectador e o povo brasileiro.

Uma perfeita exemplificação disso surgiu no momento em que um câmera filmou o instante no qual uma mulher, aos prantos, contava ao marido que a filha deles havia morrido. Poderia haver alguma maior invasão de privacidade, algum maior aproveitamento do sofrimento humano do que tal gravação? Não, não existe nada mais sujo, mais injusto do que isso*. É inaceitável que um momento íntimo como esse tenha sido violado por equipes de televisão cujo objetivo era o mais maligno possível.

Outro ato inaceitável foi a entrevista das crianças que quase foram mortas, todavia, isso, mesmo não deixando de ser absurdo, é tão recorrente nos noticiários que até parece normal. E essa normalidade é justamente o problema: A pessoa acaba de presenciar um homicídio em massa e, então, é questionada pelo repórter como se não houvesse nada de diferente.

Por conseguinte, chega-se à conclusão: Grande parte dos jornalistas está se importando mais em vender a notícia, em gerar o sensacionalismo, do que respeitar a integridade humana. E essa postura traz enormes malefícios para a sociedade e para o próprio jornalismo como um todo.

* É necessário ressaltar que nosso mundo é entranhado de coisas sujas e injustas e, tal filmagem, está entre os atos máximos de injustiça como: Desigualdade social, desperdício exacerbado de comida, pessoas vivendo em condições sub-humanas e etc...

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