sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O PROGRESSO SANGUINOLENTO DO AGRONEGÓCIO

Os incas, maias e astecas – civilizações pré-colombianas – têm como classificação histórica de suas religiões como um politeísmo naturalista e sanguinolento. Era corriqueiro no Império Inca o sacrifício dos mais variados modos de vida como presentes para o Deus Sol. Os espanhóis, ao se depararem com essa cultura, julgaram os nativos como selvagens e logo trataram de impor a civilização ocidental, causando um genocídio de milhões de índios Depois de mais de 400 anos, com a chegada do “progresso” na América Latina, vê-se, em terras tupiniquins, semelhantes sacrifícios que, dessa vez, são destinados ao Deus Desenvolvimento.

Esta semana, observa-se mais um exemplo disso. Um indiozinho de oito anos foi morto ao ser queimado vivo por madeireiros (http://brasiliamaranhao.wordpress.com/2012/01/05/crianca-indigena-queimada/). A expansão do agronegócio – com a desculpa de que o mundo, conquanto produza o suficiente para alimentar dois planetas Terra, precisa produzir mais alimentos – deixa esses rastros de sangue corriqueiramente. Os assassinatos de índios, sem-terras, quilombolas e ambientalistas são corriqueiros e todos têm uma “justíssima” explicação: “O Brasil precisa de mais comida, então temos que plantar mais e não deixaremos nada cruzar nosso caminho! Precisamos desenvolver o Brasil!”.

Não obstante a produção do agronegócio ser voltada para os países ricos – cuja população não passa fome --, esse discurso de encaminhamento da nação tupiniquim ao desenvolvimento ludibria inúmeros indivíduos e, destarte, veem-se grandes parcelas do governo e da oposição coadunarem com essa matança desenfreada de inocentes; veem-se pobres agricultores definharem de fome e, ao combater o latifúndio, serem executados sumariamente; veem-se índios perderem o direito de manter suas terras porque o homem branco precisa cultivar soja – um tipo de templo destinado à adoração do Deus Progresso --; vê-se a natureza definhar e ecossistemas ruírem porque aumentar a exportação aos Estados Unidos é mais importante que garantir a vitalidade do nosso planeta.

Esse pseudo-progresso tem como base o acúmulo de capitais, a ganância descabida e a constante luta entre os indivíduos para ter “sucesso” na vida e usufruir de nababescos luxos. Se o Brasil alcançasse esse, tão almejado pelos grandes latifundiários, “desenvolvimento” por meio da matança de inocentes, isso seria um ato legítimo? Seria legítimo dizimar inteiras aldeias indígenas para que outros pudessem saciar sua enorme gula por carnes nobres? Seria legítimo expulsar e assassinar quilombolas por tentarem manter suas terras de direito para que gado ocupe uma região que, antes, representava a liberdade de um grupo? Seria legítimo manter esses sacrifícios humanos para que uma minoria sinta-se no paraíso, malgrado estar na terra? Esse desenvolvimento obtido por meios autoritários e causador de grandes perdas humanas é, como o progresso da Alemanha de Hitler ou da União Soviética de Stálin, inaceitável e injusto.

O real e benfazejo progresso só será alcançado quando os seres humanos valorizarem a vida e perceberem que um indígena de oito anos é extremamente mais importante que ter uma picanha no prato. Quando isso for percebido, a ajuda mútua entre os cidadãos suplantará a desenfreada competição capitalista e o padrão de consumo mudará, as coisas supérfluas serão menos valorizadas e isso garantirá a saúde do nosso planeta. Com essa valorização do próximo, descobrir-se-á que nada importa mais que a vida humana e, destarte, cessarão os sacrifícios de inocentes ao Deus Desenvolvimento.

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