domingo, 22 de janeiro de 2012

Solidariedade não é oportunismo

Sobre ineptas críticas à cobertura do caso no Pinheirinho.

A despótica PM de São Paulo -- atropelando uma decisão federal e agindo incorretamente, segundo o presidente da OAB – invadiu a região do Pinheirinho a fim de “desocupá-la” e permitir que o “probo” Naji Nahas consiga fruir de capitais que serão obtidos com a especulação imobiliária do terreno. Setores progressistas da sociedade compadeceram-se com a população oprimida e, destarte, começaram a criticar a ação policial. Entre os principais delatores dessa injustiça, destacaram-se lideranças do PSOL, PSTU e de parte do PT. Então, de repente, surgiu uma massa reacionária cujo coro bradava: “aproveitando-se da desgraça dos outros! Que feio!”.

Essa reação conservadora não tem fundamento, porquanto é inerente aos partidos de esquerda o auxílio às classes menos favorecidas. Isso pode ser percebido por uma breve análise: qual o principal objetivo desses partidos? A implantação de um sistema comunista, no qual não impere a opressão capitalista e a usurpação do homem pelo homem. Ou seja, um partido de esquerda deve sempre buscar a libertação da opressão imposta pelo capital. O caso do Pinheirinho é um perfeito exemplo disso, visto que a valorização do capital de Naji Nahas causou essa ação despótica de desapropriação. A denúncia desse conflito pelos setores progressistas é, por conseguinte, uma obrigação; uma práxis necessária para que esses grupos mantenham a luta pelos seus principais ideais.

Prova dessa natural inclinação da esquerda às massas oprimidas é o fato de que vários políticos já apoiavam o movimento do Pinheirinho antes dessa repressão feita pela PM. O advogado do movimento, inclusive, é filiado ao PSTU. Fica evidente, assim, que essa aproximação dos partidários esquerdistas à ocupação citada – em sua enorme maioria -- não foi feita de forma oportunista; foi feita porque é da natureza deles apoiar as classes oprimidas.

Outra falácia que vem sendo dissipada pelos grupos reacionários é a teoria de que os grupos de esquerda “ficam torcendo pelo desastre, querem que o número de mortos seja enorme e ficam falando que há muita violência sem provas”. Trata-se de um argumento errado, porquanto os grupos vinculados às lutas esquerdistas dizem que há um massacre com o intuito de chamar a atenção da sociedade civil a essa ação lastimável do governo estadual tucano. Afinal, se a população perceber esse terrível ato de violência e se manifestar contra ele, os políticos que aderiram à repressão perceberão que essa escolha poderá criar danos irreparáveis às suas carreiras públicas e, destarte, tentarão cessar a “desocupação” sem causar nenhum dano à saúde dos moradores.

Logo, fica óbvio que os argumentos apresentados pela direita, no caso da ação policial no Pinheirinho, são inócuos e de fácil negação; eles apenas representam o desespero de um grupo cujo despotismo vem sendo desmascarado e que irá perecer quando o povo, depois de muitas lutas como a dos corajosos habitantes do Pinheirinho, finalmente conseguir derrubar as bases anacrônicas desse nosso sistema vigente e instaurar um novo mais justo, cuja manutenção dar-se-á pela ajuda mútua entre os cidadãos.

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