quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Pinheirinho, um exemplo ao povo brasileiro.










fonte da foto: Viomundo

Milhares de civis ocuparam a região do Pinheirinho. Essas pessoas -- que enfrentavam a falta de teto, o sofrimento, a miséria –, ao longo dos anos, acabaram criando um laço de amor com essa região, que pôde, enfim, ser chamada de casa e cumprir a sua função social. O povo do Pinheirinho sabe que essa terra é sua; o judiciário brasileiro, contudo, não o sabe. Isso ficou evidente quando, no dia 17/01/2012, foi quebrada uma liminar que impedia a invasão da PM para desocupar a área. Resultado: a violência policialesca está pronta para tirar os legítimos moradores do território e cedê-lo ao megaespeculador Naj Nahas. A reação dos habitantes do Pinheirinho não poderia ser mais justa, o povo armou-se para o conflito e disse que só sairá de lá morto. Deduz-se, por conseguinte, que, para ocorrer essa terrível reintegração de posse, deverá haver um banho de sangue.

O intuito deste texto é, acima de tudo, parabenizar a escolha dos bravos habitantes da região que promete ser desocupada e ressaltar que essa decisão é a mais benfazeja para o bem-estar de toda a sociedade em longo prazo.

Como propõe a dialética marxista, o que move o mundo deriva da luta de classes (opressor x oprimido) e toda conquista social é oriunda desse tipo de conflito. Quando os grupos oprimidos -- como, hoje em dia, são os sem-terra, os sem-teto, as mulheres e os homossexuais – lutam por melhores condições de vida, há inúmeros avanços no campo social e na vida da maioria das pessoas. Ao impedir que um especulador já privilegiado ganhe mais privilégios, os moradores do Pinheirinho estarão exigindo uma maior distribuição de poder e uma consequente maior aproximação da plena democracia.

Por incrível que pareça, essa disposição à batalha que os ocupantes mostraram é benéfica para eles também. Talvez ocorram mortes, torturas e violências naquela região; os indivíduos atacados, todavia, manterão uma enorme conquista alcançada: sua libertação. Na definição desta palavra há certa discussão, mas uma conceituação aceita é a conclusão de que a liberdade é plenamente alcançada quando um indivíduo assume completamente o combate à opressão dos grupos dominantes como sua causa de vida e, destarte, torna-se disposto a se sacrificar para a libertação de seu povo. Trata-se de um estado de plena abdicação das fraquezas humanas – busca por dinheiro, consumo ou até de sua autopreservação – e aceitação dos ideais libertadores. Assim, nada impedirá essa pessoa de lutar para trilhar um caminho rumo à plena emancipação da sociedade. E nada é mais valioso do que ser emancipado; do que lutar pelo bem de todos; do que lutar pela justiça social.

Evidencia-se, desta forma, que os guerreiros do Pinheirinho são um exemplo a todos os cidadãos tupiniquins, porquanto lutam contra a opressão; movem a roda da história para um futuro mais justo, mais solidário e para uma sociedade mais igualitária; e, principalmente, alcançaram a benfazeja e pura emancipação.

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